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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mal traçadas linhas...

Eram os anos 90 e éramos em doze meninas. Em meu primeiro ano de faculdade eu morei em um "pensionato para moças" em Ribeirão Preto. Pouco conforto, uma cidade estranha, 17 anos, mas muita alegria e cumplicidade. Todas nós éramos "estrangeiras" naquela terra quente, abafada e linda. A Califórnia brasileira só carecia de uma boa praia e dos velhos amigos de infância, de quem sentíamos muita falta. Uma internet capenga só na Universidade e ainda não tínhamos o hábito dos e-mails.A hora mais esperada do dia? A visita do carteiro! Nada substitui hoje o prazer de receber aquelas cartas gordinhas, com envelopes preenchidos com letras conhecidas de gente querida (e, às vezes, MUITO querida).

Mulheres costumam escrever mais. Nem sempre enviam as cartas (hoje, e-mails), mas escrevem mais que os homens, no geral. A minha geração, que cresceu nos anos 80, é a geração dos papéis de carta e dos cursos (ainda) de datilografia. Até hoje digito sem olhar no teclado, "herança" do projeto de ser uma exímia datilógrafa. Nos cinzentos anos 80, já com medo do desemprego, eu pensava que se não fosse jornalista, pelo menos uma datilógrafa rápida eu teria condições de ser!

Papéis de carta! S2
Comecei a escrever cartas cedo. Para a turma da Mônica, para o Balão Mágico, para o Sonho Maluco do Gugu, para a promoção do Caldo Maggi da Galinha Azul. Hoje, nem jornalista, nem datilógrafa, sinto falta do prazer de escrever longas cartas, ainda que no teclado do computador. É raro conhecermos as letras das pessoas, no máximo, sua assinatura. Lembro de cartas longas e numeradas que escrevíamos durante a semana toda para então postar na sexta feira. Era mais fácil ser dramática com cartas. Letras tremidas, perfume nas páginas (com talco!), beijo de batom e até... lágrimas! Houve uma carta que deixei cair (de propósito) algumas lágrimas fazendo borrar toda a caligrafia. A mexicana que até hoje habita em minha pessoa usava e abusava do drama epistolar. Palavras como "arrebatamento" e "rompante" eram as minhas preferidas, além das metáforas básicas, é claro. Quantas vezes quase corri atrás do carteiro por conta de uma carta (mal) escrita e impulsiva? Minha "Thalia" interior, definitivamente, tinha de ficar em um calabouço.

Curso técnico  por correspondência: quer coisa mais velha?
Hoje não sinto mais aquela emoção ao ver o cara de uniforme amarelo dos Correios (sim, o carteiro era, ainda que indiretamente, um objeto de desejo!). No máximo, fico feliz ao receber uma encomenda ou aqueles livros que tanto quis comprar. Devo estar  ficando velha. O mundo pré-internet era mesmo um outro mundo. Um mundo que acabou. Saudades dele.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão...

Ela tinha noventa anos e ainda conservava o que havia sido uma de suas marcas registradas: o senso de humor. Minha avó Alzira não costumava levar as coisas a sério; nem ela mesma, nem a velhice, nem a morte. Os olhos azuis miúdos mantinham a leveza dos vinte anos e, por isso mesmo, era comum olharmos para ela como uma menina. Eram estes olhos que gostavam de contemplar o que era belo, fosse um vestido, uma casa ou mesmo um rapaz. Namorar, para ela, era das coisas mais importantes da existência. Na última vez que a vi, é claro que ela me perguntou dos namorados. E contou que havia comprado uma bolsa nova (e bonita). E mostrou o álbum de fotos dos irmãos e dos netos (todos "lindos"). E fez tudo isso outra vez, e outra e outra. No entanto, chamou-me pelo nome: ela sabia que eu era a "Lê". Minha avó ainda estava ali.

Há algumas semanas, no entanto, ela começou a ir embora. Raramente abria os olhos e estava angustiada, ela que passou a vida sem conhecer a angústia. Não reconhecia as pessoas, chorava, não conseguia dormir. Eu hesitei em ir vê-la. Queria lembrar dela me mostrando a bolsa nova. Em pura negação, eu pedi a minha mãe: "Quando ela voltar a reconhecer as pessoas, você me avisa?". E minha mãe, como quem fala com uma criança: "Filha, sua avó mal consegue abrir os olhos...."
 
Dona Alzira morreu, de fato, na semana passada. Já tinha partido antes, mas sempre havia uma esperança de melhora, de que ela voltasse a ser o que era, que voltasse a gargalhar, mesmo que os dados de realidade apontassem justamente o contrário. A morte de minha avó fez com que eu pensasse em outras mortes, pequenas delas que vivemos em vida e de como é difícil lidarmos com elas. Amizades que fizeram sentido em uma época, mas que agonizam, empregos que sobrevivem respirando "com ajuda de aparelhos", relações amorosas que se alimentam da nostalgia de um tempo "bom" que passou. Até quando manter a vela "acesa"? Quando é hora de apagá-la? Enquanto houver esperança de "cura", o luto não se faz.
 
Quando somos crianças, os personagens de desenhos animados explodem com dinamites, mudam de forma e cor, caem de precipícios, mas reaparecem sãos, salvos e inteiros, como se nada tivesse acontecido. Cedo aprendemos (e devemos aprender) que na vida adulta não é assim, embora haja esta dificuldade toda de resignação. Algumas coisas são irreversíveis. Vasos quebrados às vezes não colam, pessoas queridas vão embora e não voltam. Tão simples e tão comum, mas tão difícil. Resta a saudade, esta coisa doída que afinal pode ser uma coisa boa.  E eu já tenho saudade (muita) da alegria infantil da minha avó.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Você prefere filme DUBLADO?!


Li, recentemente, que tem crescido o número de salas de cinema no Brasil que exibem filmes dublados. E não são só os infantis. Dia desses, ao apresentar um filme para um grupo de adolescentes, eles logo se manifestaram: "Ah, mas não é dublado?". Du-bla-do. "Ué - brinquei - vocês não sabem ler?". Por que catzo alguém prefere uma dublagem a là Fucker and Sucker à voz (e interpretação) originais do ator? Sim, Letícia, alguns adultos não sabem mais ler. Ou lêem pior. Ou tem preguiça do combo "assistir filme + ler legenda". E aí Botucatu, que mal tem um cinema, passou a exibir o único filme da semana DUBLADO. Análises e críticas sociais à parte, eu me lembrei que existem, sim, filmes que eu aprecio com dublagem. E isso teria mais a ver com a memória afetiva do que propriamente com a dificuldade em ler legendas.

 Scarlett, me beije, me beije!


"E o vento levou" (1938) é um desses classicões que foram exibidos pela primeira vez na televisão nos anos 80 e reprisado ad eternum depois. A primeira vez que ouvi a voz original do ator Clark Gable, eu estranhei. Para mim, a voz dele era aquela rouca que pedia a Scarlett que o beijasse. E como esquecer da voz (dublada) da escrava Mammy, correndo atrás da patroa (Dona Scarlett, dona Scarlett!)? Em relação às séries, Macgyver sempre terá a voz do He-Man e o Alf (o E-Teimoso), a voz do seu Peru (Orlando Drummond).

O mais engraçado é assistir filmes dos anos 50 que foram dublados nos anos 70 e trazem gírias, portanto, da época da dublagem ("podiscrê" e "prafrentex", por ex). Ou uma interpretação empolada que, de fato, combina com a época do filme ("Puxa, rrrrrrrapaz, que garota!"). Isso sem contar a tradução dos títulos. Nos anos 50, a tradução era dramática, sendo comum palavras como por exemplo, suplício ("Almas em Suplício", "O suplício de uma saudade"). Quem, hoje em dia, usa a palavra suplício, minha gente?

Descobri, dia desses, que "pantera" é uma gíria dos anos 70 que diz respeito às mulheres entre 30 e 40 anos muito bonitas e "fatais". Gata seria a adolescente bonitinha; pantera, a sua versão mais velha. Gata ficou, mas pantera virou gíria datada. No entanto, foi esse o nome que deram para o seriado "Charlie´s Angels" que virou "As panteras". "Good morning, angels" virou "Bom dia, panteras!" 

"As panteras" e sua versão setentinha
 Em resumo, filme dublado costuma ser um horror, mas tem lá o seu charme quando é "vintage". Algumas dublagens ficaram tão clássicas que é possível lembrar frases inteiras com a voz do dublador. Impressionante como voz e música podem trazer memórias afetivas tão intensas. Saudades da voz grave que dizia "versão brasileira, Herbert Richers". Tempos bons.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cidades pequenas: ame-as ou deixe-as?

Quem nasceu e cresceu em cidade pequena sabe bem o que é estar constantemente sob o olhar alheio. Sendo a moça mais rica da escola, o filho do prefeito, o padre da principal paróquia ou o discreto vigia do banco, em algum momento, por excessos ou silêncio, sua vida será comentada. Um filme dos anos 50 fez muito sucesso por tratar dos dramas vivenciados em grau máximo pelos moradores de uma cidade chamada "Peyton Place", que ganhou no Brasil o irônico título de "Caldeira do Diabo". Sem ir tão longe, Dias Gomes escreveu maravilhosamente sobre o microcosmo das pequenas cidades como Asa Branca (em Roque Santeiro) e Sucupira (em O Bem Amado). Aguinaldo Silva seguiu a mesma linha em suas tramas regionalistas.

Em uma cidade pequena, o supermercado do centro é um ponto de encontro, assim como a missa, a pizzaria ou a pista de atletismo em que as pessoas caminham de manhã e à tarde. É praticamente impossível sair de casa sem esbarrar com um rosto familiar. Aliás as pessoas, conhecidas ou não, sabem quando você trocou de carro, de namorado ou viajou. É comum ouvir: "vou te contar uma novidade, mas você já deve estar sabendo, a cidade inteira já sabe..."



Quando você é criança ou adolescente, a pequena cidade é o seu universo. Para algumas pessoas adultas, aliás, esta crença permanece. A vida amorosa  das pessoas que vivem nesses lugares é um livro aberto. Mesmo não tendo trocado um oi com Fulano, você sabe quantas namoradas ele teve e por quanto tempo. "Fulano está com Beltrana, mas não adianta, ele sempre vai gostar de Sicrana, a primeira namorada..." Ah, como podem ser românticas as novelas imaginadas por moradores de pequenas cidades...

Muita gente que mora em cidade pequena, saindo ou não para estudar fora, sonha em mudar para uma cidade maior, a capital, de preferência. Tem-se a impressão que é "lá que as coisas acontecem" e que "algo está sendo perdido" se você continuar no interior.  Afinal, chega de ser tão visto, eu quero ser um número, quero pintar o cabelo de roxo, quero sair com quem eu quiser sem ninguém saber, quero ir ao teatro, quero ir para a balada em dia de semana! Isso sim, é vida.

A cidade grande pode ser maravilhosa porque podemos brincar de "homem invísível" e, se não quiser mais ver alguém novamente, abrir um alçapão e sumir. E ainda ver aquele show incrível, conhecer um bar ótimo, encontrar aquele ator de novelas na fila do banco e desfrutar continuamente de novos sabores e sons. E ganhando dinheiro, obviamente.

Mas daí vem a nostalgia. Uma saudade repentina do sotaque caipira, do dono da farmácia que viu você crescer, daquele velho conhecido do colégio que lembra que sua letra era redondinha, do ex-namorado que te trata com carinho, das mais diversas pessoas que te abraçam forte e te contam sorrindo que "teve aula com sua mãe" ou "voou com o seu pai". Ah, a cidade pequena pode te oferecer olhares vigilantes, mas também testemunhas da sua história. E isso, olhem só, é bom.

sábado, 19 de maio de 2012

APARIÇÃO AMOROSA

Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.

Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.

Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.

Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.

Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?

Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.

Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?

O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?

Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.

Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O que aconteceu com Geraldo Vandré?

Por desinformação ou, talvez, por alguma informação errada, eu acreditava que Geraldo Vandré, grande artista da MPB, estava morto. Foi com bastante surpresa que descobri, através de um intervalo da Globo News que ele estaria vivo e que, depois de 40 anos, voltaria a falar com a imprensa. Era o programa "Dossiê Globo News".
Geraldo Vandré, para quem não sabe, compôs a obra-prima "Disparada" e o hino de uma geração: "Caminhando (Para não dizer que não falei das flores)". É dele a célebre frase "quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Tinha em Vandré, desde a adolescência, a imagem do grande poeta e do engajado político, daquele que não se calava diante do que acontecia no seu país. Lembro-me de meu querido professor de História falando do sofrimento do artista, que teria passado por torturas físicas e psicológicas terríveis por conta de uma canção.Talvez viesse daí a idéia de que ele estivesse morto.
Assisti à entrevista com um aperto no peito. Estava lá um senhor de cabelos brancos de postura encolhida e olhar distante, vestindo uma camiseta com o emblema da Força Aérea Brasileira. Poucas vezes alterou-se durante as perguntas. Não expressava dor, melancolia, raiva, irritação ou doçura. Parecia não haver ninguém naquele corpo. Ele vive sozinho hoje, aos 75 anos com, ao que parece, ajuda da FAB, honorários de sua produção artística e aposentadoria de quando era funcionário público. Não se casou, não teve filhos e tem poucos amigos. Cuida da mãe que ainda é viva.
Ao falar da comoção causada por sua canção emblemática (Caminhando) no Maracanãzinho, ele pede: "deve ter o VT lá na sua estação, eu queria ver". O VT não foi encontrado.
Nega que foi militante e que suas músicas eram de protesto, inclusive "Caminhando". Disse não ter sido maltratado pelas Forças Armadas. Alega não ter gravado mais porque o Brasil ,depois que voltou do exílio não é o mesmo Brasil de 1968. Repete várias vezes algumas frases, há algum resquício de uma pessoa diferenciada intelectualmente aqui e ali, mas é só. O raciocínio parece não chegar a lugar nenhum.
Teria sido Vandré uma criação? O que aconteceu com ele? Uma geração inteira projetou demais em sua figura ou ele perdeu-se em algum lugar? Houve de fato, tortura? Se sim, o que foi feito de Vandré? Utilizo uma frase do próprio para terminar este post: "Vandré foi exilado em 68 e nunca mais voltou".

* Vale apena assistir a esse emocionante vídeo com cenas da época, embaladas por aquela que foi o hino nacional de uma geração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De outro mundo...

Há exatos 27 anos, meu pai saiu para um vôo e não voltou mais. Lembro da capa de uma revista Manchete (a revista preferida dele) que estava na sala durante aqueles dias tristes. Tinha o Michael Jackson na capa. Preto.

Penso que meu pai foi embora desta vida sem ver uma série de coisas. Não viu o crescimento da AIDS (aliás, ele nem sabia o que era a doença, provavelmente), não descobriu que Rock Hudson era gay, não acompanhou a queda do muro de Berlim pela tevê, não viu o Brasil ser tetra, penta. Não conheceu os Ronaldinhos, nem o Senna.Também não chegou a ver o movimento pelas Diretas-Já, a eleição de Tancredo, a posse do vice, o plano Cruzado, o Cruzado novo, o Collor vencendo o Lula, mas saindo mais cedo. Meu pai trouxe para nós um Atari importado quando ninguém tinha, e também um aparelho de fax. No entanto, não chegou a imaginar o que seria a internet e nunca, nunca teve um celular. No mundo das revistas Playboys do meu pai (e ele tinha muitas), não existia photoshop. Lá estavam as musas das pornochanchadas brasileiras e também estrelas de novela. Meu pai não chegou a ver o renascimento do cinema nacional. Naqueles anos, filme brasileiro era ruim.

Anos 70 e começo de 80 para mim são sinônimos de infância. Infância com meu pai. Depois disso, parece que passei para outra dimensão, entrei em outra etapa, outra história. Dia desses, minha mãe me olhou com cara de surpresa: "Filha, seu pai não chegou nem a ver o Movimento das Diretas". Ah, quantas coisas ele deixou de ver. Olhando assim, penso que ele viveu em outro mundo mesmo. Um mundo que acabou.

* texto originalmente publicado no meu antigo blog.

sábado, 21 de novembro de 2009

Dois vestidos rosa

É comum entre as meninas pequenas gostar de ver o vestido de noiva das mães. Pelo menos, era. Algumas até gostavam de experimentar, de preferência com um sapato de salto que fazia sumir os pezinhos. E eram vestidos como de princesas: longos, com babados, alguns com plumas (era moda nos anos 60/70), outros em renda. Neste quesito, eu era frustrada. Não gostava do vestido da minha mãe porque não era nada romântico a meu ver, nem parecia com o de uma princesa. Era um minivestido. Rosa. Sem grinalda ou véu.
Minha mãe casou-se no auge da ditadura militar, no início de 1971. Já tinha mais de trinta. Não quis casar na igreja. Meu pai era amigo de um padre aventureiro e o chamou para celebrar a cerimônia. Em casa. Em troca, o levou em um avião pequeno para passear em Miami.

Hoje, com o escândalo do caso Geisy, lembrei do vestido de noiva de minha mãe, o símbolo de uma juventude que descobria o feminismo. A maioria das convidadas de mamãe estavam de minissaia e ninguém era vaiada ou xingada por isso. Todas lindas.

Lembrando do vestido rosa de minha mãe, consigo ter a dimensão do quanto ele foi romântico, enfim. Representou uma época em que as mulheres ousaram mostrar as pernas e as idéias. Ninguém poderia imaginar que, quase quarenta anos depois, dentro de um regime democrático, aconteceria um fato como o vergonhoso ocorrido na UNIBAN, onde o feminino foi tão covardemente agredido. Ninguém imaginaria ainda que a protagonista faria uso da publicidade do fato para ter seus quinze minutos de fama. Com suas pernas. Não com suas idéias.

Post inspirado aqui

sábado, 19 de setembro de 2009

Saudades de Patrick Swayze...

Continuando com os posts melancólicos, posso dizer que 2009 tem roubado os anos 80 de mim. Farrah Fawcett, Michael Jackson, John Hughes e agora Patrick Swayze foram embora.
Eu era mais o Tom Cruise (já disse aqui várias vezes), mas adorava o Morten (vocalista do A-HA) que, por sua vez, era a cara do Patrick Swayze. Cara de um, focinho do outro. Beleza diferente.
Tive uma amiga que assistiu dezenas de vezes o tal do "Dirty Dancing"(1987). Louca por ele. Eu comprei os discos (sim, foram dois; excelente trilha sonora). Aprendi a dançar os passos de "I´ve had the time of my life", assim como cantar "She´s like the wind", interpretada pelo próprio Swayze. Alguns anos mais tarde, chorei e ri com ele em Ghost (1991). Sempre que ouvir "Unchained Melody" lembrarei dele e dos olhos lacrimejantes de uma jovem Demi Moore.
Uma pena que Patrick Swayze tenha que ir tão cedo embora.

domingo, 19 de julho de 2009

Saudades da revista AMIGA...


Houve um tempo que havia duas revistas de fofocas bem famosas no Brasil. A Contigo (que ainda existe) e a revista Amiga. As duas traziam resumos de novelas e fofocas de celebridades. Nas capas, havia sempre títulos bombásticos do tipo: "Tony Ramos não quer mais saber de Elizabete Savalla". Na verdade, era uma notícia do que iria acontecer na novela e não com os atores. Colocar o nome dos atores ao invés dos personagens causava um efeito maior (e tosco, digamos assim).

Hoje, copiamos dos gringos algo que eles tem de pior, no meu entendimento. Há muitas revistas de fofocas , além de sites especializados nisso. Com isso, cresceu o campo de atuação dos paparazzi e um maior número de notícias bizarras e inúteis ilustrando a primeira página dos portais.

A nova febre da internet é o twitter, uma espécie de "Caras" virtual. Há vários famosos por lá, nacionais e internacionais. Alguns deles"twittam" o dia inteiro, quase de minuto a minuto. Um está no táxi, outro acabou de consertar o chuveiro, outro faz sexo pelo twitter. Não é necessário mais revistas AMIGA nem portais de fofoca: basta seguir o seu ídolo para saber o que ele faz e pensa. Ele pode ser fake, ele pode mentir, mas o conteúdo está lá.

Eu tenho um blog, tenho orkut e acabei de me cadastrar no twitter. Exponho-me com grandes restrições.Moro em uma cidade pequena e cresci ouvindo fofocas sobre a vida alheia. A respeito de mim mesma, inclusive. O mundo internáutico e de celebridades anda pior do que a minha cidade. O mundo virou um microcosmo. Nunca vi tanta gente interessada na vida alheia, em que está pegando quem, traindo quem. Fico na dúvida o quanto a internet veio para facilitar o contato humano ou prejudicá-lo. A fofoca se alimenta desta intensa necessidade de exposição de famosos e anônimos.

Pessoas medíocres falam de outras pessoas, não de idéias, eu li uma vez. Sinceramente, acho que estamos ficando mais medíocres. Saudades da revista AMIGA e dos mexericos da Candinha. Mundo mais ingênuo e menos narcisista, aquele.

domingo, 14 de junho de 2009

Um pouco de Shakespeare


Uma das versões mais bonitas de Romeu e Julieta é a do italiano Franco Zefirelli. No auge da juventude e da beleza (eram adolescentes), os atores Olivia Hussey e Leonardo Whiting causaram o maior furor na época (1968). Ambos não fizeram semelhante sucesso nos anos que se seguiram.

Em mês de namorados, taí um filme bacana de rever.
Na foto, os dois atores, ontem e hoje. Leonardo Whiting era o Zac Efron da época.

domingo, 31 de agosto de 2008

Como você seria em 1968?

Let´s in the 60`s (1968)

Durante esta semana descobri um site bem interessante. Não sei se estou trazendo notícia velha, mas vale a pena a visita: http://www.yearbookyourself.com/.
Nele, você coloca uma foto sua, de frente e em close. Você poderá imaginar como você seria nos anos 50, 60, 70 e 80 em poses típicas daqueles anuários de estudantes americanos. Algumas fotos ficam bem toscas, mas vale a pena, só para dar risada e viajar no tempo.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Quem quer bacalhau?




Muitas vezes, no antigo blog, escrevi sobre meu hábito de ler (e assistir) boas biografias. Há muitas tele-biografias boas, excelentes documentários sobre vidas impressionantes, especialmente nos canais a cabo (History Channel, GNT e até mesmo na E!). Sentia falta de programas deste tipo no Brasil, com tantas pessoas bacanas, cujas histórias de vida são melhores que muita novela das oito.
Eis que a Globo nos presenteia com "Por toda minha vida", programa que já foi intermitente e agora tem sido apresentado quintas-feiras seguidas, em um horário ingrato (23:30hs). Apesar do horário, o especial do Mamonas Assassinas teve boa audiência, que foi seguido pelo de Dolores Duran (sem o mesmo êxito) e, ontem, pelo documentário sobre Chacrinha.
Chacrinha me lembra a infância. Não gostava de palhaços, mas achava o Chacrinha hilário. Lembro-me dele juntamente com as recordações dos aniversários infantis (sempre aos sábados) e do programa Barros de Alencar, que apresentava as campeãs da semana, onde o Menudo era presença garantida. Ri sozinha assistindo ao programa de ontem, ouvindo "Maria Sapatão" e vendo o Velho Guerreiro buzinar nos calouros e jogar bacalhau no povo. Depois chorei. Não sei se pelo Chacrinha ou se pelo tempo que se foi. Um tempo em que havia Cazuza, Raul Seixas e Dina Sfat, presentes no programa de ontem.
A Globo tem um arquivo maravilhoso de imagens, pouco usado nos programas da casa, uma vez que o Vídeo Show dedica-se quase que exclusivamente a Malhação. Um programa tão bem feito como "Por toda minha vida" precisa vingar. E de preferência, sair em DVD. Jóia Pura.