
Há uma cena de Audrey Hepburn em "Sabrina"(1954) que sempre me lembro. Ao levar um fora de Linus (Humphrey Bogart), em que ele expõe, de maneira cruel, que não a ama, ela, Sabrina, simplesmente se levanta e sai. Apenas com o olhar ela demonstra todo o seu sofrimento e o quanto ele estaria sendo grosseiro. Sem choro, sem histrionismo. Elegantérrima.
Há muitos anos, um namorado rompeu comigo. Não foi cruel como Linus, mas o rompimento com alguém que se ama nunca é fácil. Uma amiga, na época, me perguntou: "Como você reagiu?". E eu disse: "Fiz a Audrey". Sem choro nem vela. Sem chantagens. "Se quiser voltar, me telefone. Sabe o quanto gosto de você."
Nem todas as pessoas reagem bem ao fim de uma relação. Aliás, a maioria não. Até a princesa Diana (lembram-se?) não conseguiu ser como Sabrina. Falou mal do príncipe Charles em rede nacional para mostrar o quanto ele havia sido cruel com ela. Para quê? Pagar de mulher ressentida? Atacar o objeto de amor perdido para que ninguém mais se interesse por ele (ainda que fosse o Charles)? Deixá-lo tão terrível para que você mesma não corra a tentação de querê-lo de volta?
Há hoje uma confusão do que é "mulher guerreira". Mulher "guerreira" (que termo é esse?), autêntica é aquela que expõe a vida íntima em revistas, portais de celebridades e twitters? Que risca o carro do ex? Sei lá, para mim, isso é ser barraqueira. Se você é "guerreira", maravilhosa mesmo, isso aparece. Se o cara é um paspalho e não vale nada, isso também aparece. Não precisa ficar bradando aos quatro ventos. Discrição nunca é demais. Até no final (doloroso) de um relacionamento. E isso serve, obviamente, para os homens também.

