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terça-feira, 21 de agosto de 2012

O tempo

"(...)  Por seres tão inventivo
         E pareceres contínuo
        Tempo tempo tempo tempo
       És um dos deuses mais lindos
      Tempo tempo tempo tempo..."

(Oração ao Tempo - Caetano Veloso)

 
"Você já parou para pensar que vinte anos pode não ser muito tempo?"- perguntou-me um amigo quando eu, assustada, constatava que nossas lembranças de vida já contam duas ou mais décadas. Na verdade, não sei bem a resposta. Até cinco anos podem parecer uma eternidade, dependendo do que se lembra e como se lembra.

Quando temos quinze anos, uma pessoa de trinta é um idoso. Quando se tem sete, o Natal demora uma vida toda para chegar. Quando se tem vinte, duas décadas é a sua vida toda e, portanto, muito tempo. E quando se tem mais de trinta? E quando se tem sessenta, setenta?

O que eu sempre achei curioso é que em muitas telenovelas e filmes  nos quais ocorre a passagem do tempo, dois atores (ou atrizes) interpretam o mesmo papel em fases diferentes. É assim que, por exemplo, o altíssimo Paulo Gorgulho virou o baixinho Claudio Marzo (Pantanal, 1990), Adriana Esteves virou Renata Sorrah (Senhora do Destino, 2004), e a Giulia Gam virou ... a Vera Fisher!


Giulia Gam e Vera Fisher como Jocasta em Mandala (1988)
Ou seja, durante a minha infância e adolescência, o que sempre aprendi com a ficção é que vinte, vinte e cinco anos é tanto tempo que uma pessoa se transforma em outra. E hoje, adulta, observo, surpresa, que, na vida real, sem troca dos atores, isso pode acontecer também. Cadê aquela menina alegre? Cadê aquele cara inventivo? Cadê a amizade que a gente tinha? Cadê aquele amor? Cadê, cadê? Acabou como aquele filme, aquela novela velha. Hoje é outra coisa.

 No entanto, mais surpresa  fico eu quando percebo que amigos, amores de 20 anos atrás atualizam o passado só com a sua presença.  E lá está aquela risada tão familiar, o jeito de andar, os mesmos vícios de linguagem e o prazer bom de estar junto. E de repente, em um (re)encontro, todo mundo é adolescente de novo e também são adolescentes os afetos que se presentificam. Vinte anos não passaram. Foi tudo ontem. É agora.

Freud (sempre ele) dizia que o inconsciente não conhece o tempo. Para ele, o tal  inconsciente, não existiria passado, presente ou futuro. Os sonhos mostram isso para nós quando, por exemplo, sonhamos que a casa  em que moramos quando criança ressurge, como se fosse a casa em que moramos agora. É a casa velha, mas também é a casa nova.

E agora, concluindo o texto e voltando à pergunta do meu amigo querido, eu penso que vinte anos podem, de fato, representar séculos, mas  também podem  não ser nada. Se são dores antigas, que permaneçam como fitas VHS  que não quero rebobinar. Se são afetos bons, que eu possa ter 15, 20 anos de novo. Sem plástica, nem botox.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Todas as cenas de amor são ridículas?

No ar, mais uma novela do meu autor preferido: Giberto Braga. Há poucos autores que ainda gosto; Gilberto está entre eles. No universo braguiano não podem faltar a podridão de uma elite, as mazelas da classe média, os vilões ardilosos e as relações de inveja e disputa. Como esquecer de Raquel x Maria de Fátima, Maria Clara Diniz x Laura, Yolanda x Júlia Matos? Agora, ao que parece, será Leo x Pedro. O mocinho x o bandido. Torcendo para que o Leo de Gabriel Braga Nunes não nos faça ter saudades de Renato Mendes e Olavo Novaes.

No entanto, o papo deste post não é sobre o vilão, mas sobre os mocinhos. Como é difícil fazer o mocinho em qualquer novela, não acham? Mocinho e mocinha. Sobre Marina Drumond (Paola Oliveira), a heroína, os primeiros capítulos já fizeram questão de ressaltar o quanto ela é corajosa, batalhadora e moderna. Capaz de co-pilotar um avião e até beijar um rapaz que mal conhece depois de quase morrer. E Pedro, o herói de Eriberto Leão, encarnou uma versão tupiniquim de Keanu Reeves em "Velocidade Máxima". Demais para a minha cabeça. O pior de tudo não foi isso, mas o amor à primeira vista entre o dois. Por que as novelas insistem nisso, santo Deus? A cena em que os dois se declaram apaixonados foi pouco convincente, não conseguiu emocionar. A gente não vê isso, não parece crível. A paixão existe, sem dúvida, a maior parte de nós, maiores de 13 anos já passou por isso uma vez na vida. São os diálogos é que parecem inacreditáveis. Os americanos são melhores nisso, especialmente nas séries.

Não acho que as cenas de amor precisem ser ridículas. A maioria é, mas não precisam ser. É possível serem até um pouco piegas, mas não é necessário que sejam patéticas. O próprio Gilberto Braga escreveu cenas memoráveis para a corajosa mocinha Solange Duprat (Lidia Brondi) em Vale Tudo. Há cenas de paixão explícita entre ela e o Afonso de Cássio Gabus. E são realistas, mais de 20 anos depois. E Miguel Falabella escreveu um mocinho de arrepiar: o Gustavo de Wagner Moura em "A lua me disse". Adriana Esteves fez Heloísa, a heroína convincente que comeu o pão que o diabo amassou. As cenas entre os dois são lindíssimas.

Se alguém mais se lembra de cenas de amor emocionantes, palpite. Enquanto isso, deleitem-se com Capitão Nascimento apaixonado. Wagner Moura é rei, mas havia um bom texto por trás.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Minhas dez novelas do coração (2001-2010)

Gosta de listinhas? Final de ano é uma época de fazer listas: do que foi feito no último ano, do que pretendemos alcançar no ano que vem. Bóra falar de tevê? Embora ande meio decepcionada com meus teledramaturgos preferidos, resolvi fazer minha listinha de dez mais. Com vocês, as dez melhores novelas da década, na opinião da humilde blogueira.


10) "O Clone"(Glória Perez, 2001) - Para muitos, a melhor novela da década, do que discordo veementemente. O mundo acabara de ver as torres gêmeas serem bombardeadas por dois aviões e os árabes taxados como inimigos públicos número um , devido ao terrorista Osama Bin Laden. E lá vem Glória Perez nos apresentar Jade, a marroquina muçulmana com sotaque de garota de Ipanema, que se apaixona por um ricaço brasileiro, o Lucasssssss. E dá-lhe ponte aérea Brasil-Marrocos como se fosse Rio-São Paulo. A novela virou febre (de pulserinhas da Jade a expressões ditas por Nazira). Giovana Antonelli fez moda com seu cabelão, a dança do ventre e os olhos pintados de cajau. Houve também a grata surpresa de Débora Falabella e sua Mel. Fantasiosa em demasia para o meu gosto, mas a parte dramática teve bons momentos.Tio Ali ( Stênio Garcia) e suas pérolas virou meu ídolo.
09) "Da cor do pecado" (João Emanuel Carneiro, 2004) - Um bom novelão das sete, talvez a melhor da década. João Emanuel brinca com os elementos clássicos do folhetim, sempre com um bom núcleo de comédia. Foi a primeira novela global com uma protagonista negra: Thaís Araújo. Reynaldo Gianechinni viveu os gêmeos Paco e Apolo e havia a família Sardinha, uma família que quase virou série independente, tamanho o sucesso.
08) "Senhora do Destino" (Aguinaldo Silva, 2004) - Fora "Tieta", uma adaptação da obra de Jorge Amado, foi a única novela de Aguinaldo Silva de que realmente gostei. A Maria do Carmo de Suzana Vieira era uma chata, mas tínhamos a Nazaré Tedesco de Renata Sorrah. Suas cenas com Elizângela, a antiga companheira de "vida fácil" Djenane, foram antológicas. Leandra Leal deu show como sua enteada, ao lado do doce Leonardo Vieira. Última novela de Raul Cortez, já bastante doente. José Wilker arrancou risadas com seu bicheiro "do bem" Giovanni Improta ("o tempo ruge e a Sapucaí é grande").
07) "Mulheres Apaixonadas" (Manoel Carlos, 2003) - A última novela decente de Manoel Carlos. Um milhão de personagens intercalavam suas histórias com a de Helena, a diretora do colégio particular Era. Única Helena de Cristiane Torloni, que era uma chata. Destaque para as meninas fofas que se amavam (Aline Moraes e Paula Picarelli), a doce Salete (Bruna Marquezine), a "Helouquisa" (Giulia Gam) e o MADA, a politicamente incorreta Dóris (Regiane Alves) e a maravilhosa estréia de Dan Stulbach e sua raquete do mal.
06) "Caminho das Índias" (Glória Perez, 2009) - Ganhou o Emy de melhor novela do mundo. Nada desprezível, não? Como sempre, Glorinha fez aquela misturêra básica: esquizofrenia, psicopatia, costumes indianos, etc, etc. Conseguiu fazer uma trama bem amarrada, apesar das licenças poéticas exageradas. Primeira vez que eu gostei de uma mocinha da Glória Perez: Juliana Paes fez muita gente chorar com sua Maya. E o Raj de Rodrigo Lombardi roubou a cena e a mocinha do esquecido Bahuan de Márcio Garcia.
05) "A lua me disse" (Miguel Falabella, 2005) - Miguel Falabella em boa forma, embora a novela não tenha sido aquele sucesso todo. Última novela das seis que assisti. Falabella é nosso Pedro Almodóvar com suas mulheres escandalosas e cheias de cores. Havia o homem travestido, a cantora de bar, a índia e as negras arrogantes. Nada politicamente correto. Arlete Salles era Ademilde, a mulher lutadora que havia sido abandonada pelo noivo e buscava um amor pela internet. Wagner Moura era o melhor mocinho de todos, com seu doce Gustavo. E Adriana Esteves era a mocinha destemida. Uma delícia de novela, ri demais.
04) "Paraíso Tropical" (Gilberto Braga, 2007) - A novela começou devagar, mas engrenou bem depois, caindo no gosto do público. Foi o ano de Wagner Moura. Além do herói Capitão Nascimento, ele arrebatou a mulherada com seu vilão deliciosamente canalha Olavo Novaes. Uma dupla inesquecível com a Bebel, de Camila Pitanga ("na minha cara está escrito: CAL-ÇA-DA!") roubou a cena da novela, que ainda contou com Alessandra Negrini, com suas gêmeas Paula e Thaís.
3) "Belíssima" (Silvio de Abreu, 2005) - O tema era a beleza e a tragédia. Tanto é que a novela, não por acaso, começa na Grécia. O mote condutor era a rivalidade entre a rica e malvada Bia Falcão (Fernanda Montenegro) e sua neta Vitória (Cláudia Abreu). O laço familiar que as unia só é descoberto nos últimos capitulos. Destaque também para o ambivalente André Santanna de Marcelo Antonny e para a família grega espalhafatosa que contava com Irene Ravache, Lima Duarte e Cláudia Raia. Primeiro papel cômico de Gianechinni, o Paschoal.
2) "Celebridade" (Gilberto Braga, 2003-2004) - A trama era inspirada no clássico filme "A Malvada". Dissimulada aspirante a atriz (Anne Baxter) toma o lugar de sua ídola no teatro (Bette Davis). Sai Anne Baxter, entra Claudia Abreu. Sai Bette Davis, entra Malu Mader. O fio condutor da novela é o sentimento tão universal da inveja. Claudia Abreu também roubou a cena de Malu, lindíssima como a produtora Maria Clara Diniz. Márcio Garcia segurou bem o papel de comparsa de Laura, o Michê. E como era irresistível o personagem Renato Mendes, de Fábio Assunção...
1) "A favorita" (João Emanuel Carneiro, 2008) - Que beijinho doce tinha Flora. Tanto que Patrícia Pillar enganou meio mundo como sendo mocinha da novela. Na verdade, a mocinha era a espalhafatosa Donatella de Cláudia Raia, que comeu o pão que o diabo amassou. João Emanuel inovou em muita coisa na elaboração do roteiro da "Favorita", primando pela coerência dos personagens. Mariana Ximenes, Cauã Reymond, Glória Menezes, Elizângela e impagável Ary Fontoura estavam ótimos. Isso sem contar a dupla de protagonistas. Flora foi a pior vilã de todas, pois odiava a própria filha, um tabu, mesmo entre vilãs de novela.

Concordam com a lista? Comentem aí! Há novelas boas de outras emissoras, mas como não as assisti, não posso opinar. Convenhamos que os últimos anos não foram os melhores da teledramaturgia.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vale Tudo, again.


Bóra eu falar novamente da dona Odete e cia. Meses atrás narrei um diálogo de "Vale Tudo" reproduzido por mim e um grande amigo em um restaurante (loucos). Como se não bastasse a tamanha loucura e saudosismo nossos, eis que a novela retorna em reprise (Canal Viva) e vira febre novamente, com os gritos de Raquel Acioly, as bebedeiras de Heleninha e a franja de Solange Duprat. E, é claro, as frases politicamente incorretas de Odete Roitman.
Gilberto Braga, para quem lê este humilde blog, é recorrente em minhas recordações saudosistas. Esqueça os fúteis do Leblon de Manoel Carlos, pois é Gilberto Braga que retrata melhor o que há de mais cáustico e podre entre os ricos cariocas. Seus mocinhos são enfadonhos, mas os vilões são os melhores. Haja visto a própria Odete, Felipe Barreto, Renato Mendes, Laura Prudente da Costa e Olavo Novaes. Seus vilões tinham humor.
Voltando a Vale Tudo, novela de 1988/89, algumas coisas continuam bem atuais, mas muito envelheceu. Não sei se é por conta das imagens antigas, mas algumas cenas estão muito escuras. Tudo era mais pobre, até a casa dos ricos não tinha tanto luxo como hoje. A corrupção continua uma praga que corrói o país, mas o desemprego, o horror dos anos 80, não está mais tão assustador. A classe C e D pode comprar mais e ter acesso a bens de consumo inimagináveis naqueles tempos. Além disso, viagens internacionais que eram quase inacessíveis naquela época, estão bem mais próximas da classe média. Isso tudo, fruto de uma economia estável, algo que era bem distante da realidade em 88. Um luxo, para o rapaz rico (Tiago, filho de Marco Aurélio) era ter uma extensão telefônica no quarto, além de uma televisão. Eram tempos sem computador e celular. Ah, e um grande presente era dar um disco de vinil.
Alguns golpes da vilãzinha Maria de Fátima não seriam necessários.O golpe da simulação de incêndio na revista Tomorrow  para roubar a agenda de Solange, por exemplo. Ela queria apenas o nome do cabeleireiro de uma atriz famosa. Hoje é fácil saber disso pelas revistas, pois os próprios "hair stylist" são celebridades. O mundo todo mudou e é globalizado.
Pessoalmente, minha posição também é outra em relação à novela. Para mim, na época, Raquel, a mãe de Fátima, era uma senhora. Hoje, vejo Regina Duarte quase como uma menina, muito jovem, pois estou mais próxima da idade dela na época (40)  do que a idade de Glória Pires (25, uma garota). Em 1988, eu  estava no início da adolescência, sonhando com a viagem de formatura. Tenho todo este ano registrado em diário e a impressão é de que foi ontem que eu tinha um abrigo colorido da Benetton, parecido com o de Flávia Monteiro. Assistindo, hoje, à novela, vejo que não foi. Já faz 22 anos. Uma verdadeira viagem no tempo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reserva pra mim um hotel limpinho...

Tenho um grande amigo que, como eu, deleita-se com novelas antigas, especialmente as clássicas. Já fui Maria de Fátima e ele, Raquel Accioly na reprodução involuntária de uma cena de "Vale Tudo" durante um almoço. A gente se acabou de rir, mas o povo ao redor pensou, realmente, que estávamos brigando. Ainda mais que, aproveitando estarmos inspirados por Regina Duarte, lembramos de uma outra briga dela, como Malu, em Malu Mulher. Regina, nos dizeres de José Simão, já foi "a gralha das oito", seja como Raquel, as Helenas, Malu ou Porcina. Ninguém berrava como Regina. É o nosso momento terapêutico.
E voltando a "Vale Tudo", novas cenas foram acrescentadas no youtube por gente que gosta muito de novela. A grande Beatriz Segall, a respeito de sua personagem icônica Odete Roitman, disse, em entrevista que o grande sucesso de uma vilã deve-se à naturalidade com que se constrói o personagem. Ela, a personagem, não acha que é má. Ela realmente acredita que seu jeito de ver as coisas são óbvias e correspondem à verdade. Odete Roitman falava os maiores absurdos e acreditava naquilo, o que torna tudo muito engraçado. Você chega a concordar com ela.
Quer relembrar as pérolas de Odete? Vejam só como ela era profética:

as melhores cenas de Odete Roitmann

E reparem na simplicidade dos cenários e das roupas. A Globo e o mundo todo era mais pobrinho. Inclusive as vilãs de Gilberto Braga.

domingo, 11 de abril de 2010

Ti ti ti, a volta

Ti ti ti (1985), novela do grande Cassiano Gabus Mendes estará de volta em breve, em um remake, adaptada por Maria Adelaide Amaral. Trechos da novela original estão no youtube e fica difícil imaginar uma regravação tão boa quanto à original. Cassiano Gabus Mendes foi autor de grandes novelas das sete (novelas leves, de humor) e tem no seu currículo obras-primas como "Que rei sou eu?"(1989), "Elas por elas" (1982) e "Locomotivas" (1976).
Luiz Gustavo, irmão de Cassiano, deve a ele certamente três dos maiores papéis de sua vida: o anti-herói Beto Rockfeller (de novela do mesmo nome), o detetive atrapalhado Mário Fofoca (de "Elas por elas") e o adorável fracassado Ariclenes Martins, o Victor Valentim de Ti ti ti.  Nesta última, ele era o antagonista de Reginaldo Faria, seu inimigo de infância, que interpretava André Spina, o Jacques L`Eclair. Os dois eram estilistas de alta costura que duelavam pelas madames paulistanas. Na época, dizia-se que a rivalidade dos dois personagens teriam sido inspirados em Clodovil e Dener, grandes costureiros dos anos 70 e 80.

A novela era engraçada e original. Malu Mader, uma adolescente de 18 anos na época dá um banho de interpretação como a voluntariosa Valquíria, filha de Jaques L´Eclair. O romance proibido dela com Luti (Cássio Gabus Mendes), o filho de Ariclenes, era uma delícia, com uma química que foi repetida anos depois (em Anos Rebeldes). Aliás, o núcleo jovem era todo bom e contava também com a estreante Beth Goffman, a doidinha Eduarda, que fazia parte da turma da Lazinha. Onde vão encontrar um elenco jovem tão bom hoje?
Havia também Miriam Rios, que fazia parte do núcleo dramático da novela. Ela se envolvia com o cafajeste Pedro Spina, interpretado por Paulo Castelli (por onde anda o ator, aliás?). O tema dos dois (Lover Why?), assim como o de Luti e Val eram músicas que não faltavam nos bailinhos de garagem.
Eu sei que tenho meu lado saudosista exagerado, mas comparar o ano de 1985 em matéria de novelas com o ano de 2010 dá vontade de chorar. Além de "Ti ti ti", estavam no ar, ao mesmo tempo, a clássica "A gata comeu" no horário das seis e a campeã de audiência "Roque Santeiro" no horário das oito. Bons tempos da tevê aberta. É ou não é pra ter saudade?

domingo, 6 de dezembro de 2009

As mulheres de Manoel Carlos

Dona Helena, eu vou bater um bolinho pra senhora! Onde já se viu ficar sem comer?
É de praxe associar o autor Manoel Carlos ao Rio de Janeiro, ao Leblon e ao balanço agradável de clássicos da bossa nova. Além disso, outra característica que atribuem a ele seria "a facilidade em decifrar a alma feminina", praticamente um Chico Buarque da teledramaturgia brasileira. Ora, mas o que seria, afinal, a tal "alma feminina"? De que mulher fala Manoel Carlos?

Em sua maioria, as mulheres de Manoel Carlos são ricas. Algumas muito ricas. A maioria não trabalha ( o que fazem, por exemplo, Tereza e suas filhas? Betina ou mesmo a drunkoréxia Renata?). Elas podem ser professoras ou médicas, mas tanto as escolas como os hospitais em que trabalham parecem um shopping center.

Aliás, para não cometer injustiças, algumas mulheres de suas novelas trabalham muito. Além da conta, quase escravas. São as empregadas domésticas, sempre uniformizadas a qualquer hora do dia e da noite. Elas se dividem em duas categorias: as cordatas, quase santas, "ouvido penico" da patroa, ou as curvilíneas perigosas, objeto de cobiça do patrão.

Ah, as mulheres de Manoel Carlos são barraqueiras. Adoram uma baixaria. Algumas rolam no chão aos tapas com outra mulher. Geralmente por conta de outro homem.

E elas comem? Nem pensar. As mulheres de Manoel Carlos têm horror à calorias. E não estamos falando das personagens que tem transtornos alimentares, mas de todas. Só comem saladinhas, estão sempre de dieta.
As mulheres de Manoel Carlos são fúteis. Só falam de roupas, dietas, homens e, principalmente, mal de outras mulheres. Os homens aparecem em seus discursos como objeto de disputa de poder entre elas, não como objeto de amor. Aliás, o que seria amor nas novelas de Manoel Carlos? Você sabe?

Sei lá, não consigo me identificar com essas mulheres. Novela é ficção e entretenimento, mas "Viver a vida" só tem conseguido me deixar irritada. As mulheres de Manoel Carlos são mulheres lidas a partir da cabeça de um homem machista. Estou errada?

domingo, 1 de novembro de 2009

Novela de verdade!

Troca novela, trocam os galãs. Finalmente, dois bons. Sai Rodrigo Lombardi, entra Mateus Solano no papel dos gêmeos Jorge e Miguel. Eu tive o privilégio de assistir Solano em Hamlet, na pele de Horácio, seu melhor amigo.Wagner Moura é um monstro sagrado (como diria Fausto Silva), mas ele não fica atrás, definitivamente. Lindo porte em cena, melhor ao vivo do que na telinha.
Quanto à nova novela do Manoel Carlos, mais do mesmo. Seu Rio de Janeiro continua mais fictício e irreal do que a Índia de Gloria Perez. Cansei-me das Helenas; todas chatas e enjoadas. A única de que gostei, por incrível que pareça, foi a sussurrante Helena de Vera Fischer, em Laços de Família. Aline Moraes está ótima como a mimada Luciana, mas nem isso me faz assistir com gosto.

Manoel Carlos já foi melhor. E, voltando aos gêmeos de Mateus Solano, já escreveu lindamente sobre dois outros gêmeos. Tony Ramos fez uma das mais emocionantes cenas de sua carreira em uma novela do "Maneco": o reencontro dos gêmeos João Vítor (o certinho) e Quinzinho (o irreverente). Se nunca viu, vale a pena. A novela é "Baila Comigo" de 1980 e a cena fez muita gente chorar na época. Mateus Solano é um príncipe, mas Tony Ramos, definitivamente, é rei.

Dá uma olhadinha lá. E emocione-se.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Antes de Manoel Carlos




Eu já gostei muito de José Mayer. Só que foi antes dos cafajestes criados por Manoel Carlos. O garanhão do Agreste, Osnar, papel extraído do romance de Jorge Amado, foi o seu melhor. O doce Osnar, amor de infância de Tieta. Marcos, Greg, César e outros tipos não são nada perto do nordestino de bom coração.

Para relembrar, clique aqui


sábado, 25 de abril de 2009

Do Paraíso às Índias...


Maior tempo do mundo que eu não assisto à novelas, eu, que já fui noveleira convicta. Não sou mais a mesma, muito menos as novelas que não estão lá grande coisa.

De relance, dei uma olhada no remake "Paraíso", que foi das primeiras novelas que assisti na vida. A última novela que tenho lembrança é "Pai Herói" (1979) quando tinha quatro anos. A primeira versão de Paraíso passou quando eu tinha seis, sete anos. Eu gostei bastante, mas era muito novinha e não entendi muita coisa. Naquela época, Benedito Rui Barbosa era autor das seis na Globo, antes do estouro de Pantanal (1990).

O que me deu muita saudade, assistindo agora à versão atual, foi de Cristina Mullins, a santinha da versão original. Adorava Cristina Mullins, uma das atrizes mais completas de sua geração e das mais lindas. Fazia comédia e drama com muita facilidade e era de uma simpatia ímpar. "Santinha" foi das suas personagens mais marcantes. Quanto ao galã da novela, já escrevi uma vez aqui mesmo neste blog e repito: José Eleutério foi o melhor papel de Kadu Moliterno, o que ele admite. Os "Josés" do Benedito (Eleutério, Leôncio, Inocêncio) são grandes personagens masculinos de telenovelas, com uma dose de doçura e masculinidade que se equilibram. Mocinhos dignos.

Natalia Dill, a Santinha da versão atual, lembra muito Cristina Mullins, é algo que impressiona. E a mocinha é boa, faz um bom par com Eriberto Leão, o José Eleutério da vez. No entanto, o texto de Benedito me cansa, me enjoa, os diálogos são muito parecidos em suas novelas. Ele tem bons argumentos, seus enredos são lindos, histórias de amor belíssimas, mas por demais arrastadas. Ficariam melhor em uma minissérie, ou em uma novela mais curta. "Paraíso" é bom para encher os olhos com a beleza e talento dos protagonistas atuais, além de matar um pouco a saudade de um tempo mais ingênuo. Afinal 1981 já é uma data bem distante.


ENQUANTO ISSO, NAS INDIAS...


A Globo anda apostando todas as suas fichas em Rodrigo Lombardi, e com razão. Não gosto dos galãs de Glória Perez. São sempre chatos, independente do ator. Murilo Benício que o diga. No entanto, o Raj de Rodrigo Lombardi é um encanto, graças à doçura do intérprete. Taí um mocinho que eu gosto, doce e másculo, como aqueles dos bons tempos do Benedito Rui Barbosa.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Você não é uma assassina como eu!

E Patrícia Pillar, como Flora, é a grande vilã de "A Favorita". Tal como as loiras gélidas de Hitchcock, Flora é a assassina de Marcelo Fontini em uma revelação digna de último capítulo.
As pistas estavam lá: Flora sempre fora fria, não se desesperava em nenhuma das situações. Era calculista e sedutora. Insistente e invasiva, especialmente com Zé Bob e Lara. Donatella por sua vez, mostrava-se ingênua em muitos momentos. Foi enganada por Silveirinha e Dodi. Expansiva e atrapalhada. Impulsiva e romântica. Até mesmo quando tentava usar do dinheiro para conseguir algo, se embananava toda. Sem perfil de assassina. A não ser que tivesse matado por impulso, em um descontrole.
Patrícia Pillar enganou bem porque, além da trama pregar peças, tem rosto de anjo. Patrícia tem jeito de mãe e é querida pelo público. Cláudia Raia é simpática, mas também tem esse jeito de toda poderosa e, como pessoa pública, é arrogante muitas vezes. Pode ser que o público quisesse ver Patrícia Pillar como mocinha, apesar das pistas indicarem o contrário.
Alguns tem comentado que talvez a trama esvazie com a revelação do grande mistério. A ambiguidade dos personagens era algo que fazia da trama algo especial, mas não acho que o drama perderá sua riqueza.Agora temos uma mocinha digna de Janete Clair para torcer, a pobre Donatella. E há ainda outros mistérios que rondam a família Fontini, como o seqüestro do filho da mocinha. Seria Halley? Halley seria meio-irmão de Lara?

Enfim, que venha o folhetim clássico! Adoro novelões com pitadas de mistério. João Emanuel Carneiro é um digno discípulo de Silvio de Abreu. Espero que não perca a mão em nome da audiência.