domingo, 11 de abril de 2010

Ti ti ti, a volta

Ti ti ti (1985), novela do grande Cassiano Gabus Mendes estará de volta em breve, em um remake, adaptada por Maria Adelaide Amaral. Trechos da novela original estão no youtube e fica difícil imaginar uma regravação tão boa quanto à original. Cassiano Gabus Mendes foi autor de grandes novelas das sete (novelas leves, de humor) e tem no seu currículo obras-primas como "Que rei sou eu?"(1989), "Elas por elas" (1982) e "Locomotivas" (1976).
Luiz Gustavo, irmão de Cassiano, deve a ele certamente três dos maiores papéis de sua vida: o anti-herói Beto Rockfeller (de novela do mesmo nome), o detetive atrapalhado Mário Fofoca (de "Elas por elas") e o adorável fracassado Ariclenes Martins, o Victor Valentim de Ti ti ti.  Nesta última, ele era o antagonista de Reginaldo Faria, seu inimigo de infância, que interpretava André Spina, o Jacques L`Eclair. Os dois eram estilistas de alta costura que duelavam pelas madames paulistanas. Na época, dizia-se que a rivalidade dos dois personagens teriam sido inspirados em Clodovil e Dener, grandes costureiros dos anos 70 e 80.

A novela era engraçada e original. Malu Mader, uma adolescente de 18 anos na época dá um banho de interpretação como a voluntariosa Valquíria, filha de Jaques L´Eclair. O romance proibido dela com Luti (Cássio Gabus Mendes), o filho de Ariclenes, era uma delícia, com uma química que foi repetida anos depois (em Anos Rebeldes). Aliás, o núcleo jovem era todo bom e contava também com a estreante Beth Goffman, a doidinha Eduarda, que fazia parte da turma da Lazinha. Onde vão encontrar um elenco jovem tão bom hoje?
Havia também Miriam Rios, que fazia parte do núcleo dramático da novela. Ela se envolvia com o cafajeste Pedro Spina, interpretado por Paulo Castelli (por onde anda o ator, aliás?). O tema dos dois (Lover Why?), assim como o de Luti e Val eram músicas que não faltavam nos bailinhos de garagem.
Eu sei que tenho meu lado saudosista exagerado, mas comparar o ano de 1985 em matéria de novelas com o ano de 2010 dá vontade de chorar. Além de "Ti ti ti", estavam no ar, ao mesmo tempo, a clássica "A gata comeu" no horário das seis e a campeã de audiência "Roque Santeiro" no horário das oito. Bons tempos da tevê aberta. É ou não é pra ter saudade?

sábado, 23 de janeiro de 2010

Post antigo

Reli o que escrevi sobre Marcelo Dourado no início do BBB7, antes do fenômeno Alemão. Para quem se interessar, aqui. Eu atualizava o blog muito mais vezes...rs...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Por uma certa complexidade no BBB...

Psicólogos com pecha de intelectual tem uma certa vergonha de assistir ao BBB. No máximo, dizem que vão assistir para “analisar o comportamento humano”. É mais ou menos a mesma coisa que dizer que compra a Playboy para ler a entrevista. Ora se eu posso, de brincadeira, fazer psicanálise da revista Caras, por que não posso analisar o BBB? Poucos confessam, no entanto, que o envolvimento acontece, e, quando menos se espera, desce uma lágrima num paredão desses da vida. BBB é paixão. E identificação.

Eu começo o ano tendo como meta (é só ler posts antigos deste mesmo blog) não assistir mais ao BBB porque perco meu precioso tempo. Bobagem. Tal como uma mulher de malandro que jura nunca mais cair naquela conversinha barata, estou eu ouvindo “isso aqui é um jogo” e “estou sendo eu mesmo” novamente.

Posso dizer que não gosto dos participantes unâmimes. E, para minha decepção, raramente torci por mulheres. E antes que me acusem de machista, é só dar uma olhadinha nos meus posts anteriores. Eu não me vejo nas mulheres dos BBBs, ainda que algumas sejam interessantes. Por alguma razão, identifico-me predominantemente com os homens. E todos que torci não eram queridos do povão e muito menos do Boninho. Aliás, nem aquele que venceu era preferido da galera.

Sabrina (BBB3) era engraçada, uma adorável sem-noção que abusava dos biquínis minúsculos e tinha hábitos de higiene duvidosos. Grazi Massafera (BBB5), talvez a mais bem sucedida de todos os BBBs, era “a fofa”. Cadê a neurose da Grazi? Linda demais, perfeita demais. Tenho predileção pelos explicitamente neuróticos, humanos, e Grazi, ao menos no BBB, não era.

Há que se ter uma certa complexidade, além de jogar bem. Assim como Jean Massumi, o cabeça estrategista do BBB3 e o médico e louco Marcelo Arantes, do BBB8, só para citar alguns. Ah, e o fenômeno Alemão só foi possível de existir por conta do ressentido e carismático antagonista: Alberto Cowboy.

Agora, diante de um BBB 10 multicolorido, alguém desperta interesse? Tudo parece demais superficial e óbvio. Por ora, fico feliz de reencontrar Marcelo Dourado, o lutador machista, típico macho alfa. Ele, outrora lindo de doer, está lá cansado de guerra, um tanto quanto perdido diante de uma turma tão jovem. Sensível algumas vezes, totalmente inadequado e non sense em outras. Dourado, disputado por Juliana e Antonella no BBB4 é o dono das cenas mais calientes de todos os BBBs juntos. Por ora, é o meu preferido, na ausência de um neurótico mais interessante. Ou neurótica, quem sabe.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

REINVENÇÃO

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas. . .

Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo... – mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.

Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.

Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcança...
Só - no tempo equilibrada,

desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.

Só - na trevas
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

(Cecília Meireles in Flor de poema)

Que todos possamos nos reinventar em 2010. Feliz ano novo!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Comédia (nada) romântica


Comédia romântica já não faz minha cabeça mais desde, sei lá, 1998. Acho que foi o ano de "Mensagem pra você", antes das milhões de plásticas da Meg Ryan. Depois, perdi a paciência.É tudo sempre igual. Eu até tolero os clichês, mas depois de certa idade algumas coisas começam a ficar intoleráveis. Cara conhece garota. Eles brigam o filme inteiro para depois descobrirem que se amam. Às vezes, eles se gostam, mas há um mal entendido durante o filme que os separam. O final sempre se dá com correria. Ou um deles está para casar, ou vai viajar e o outro chega correndo para impedir. E ficam juntos.

Daí que eu resolvi assistir um desses novamente. Tarde chuvosa, 2012 (éca) em todos os cinemas, restou esse: 500 dias com ela. Já tinha ouvido falar (bem), mas amei. Cara conhece garota. Eles brigam e vivem bons momentos durante o filme e se separam. No entanto, o final é bem mais realista. BEM mais realista. Sem correrias e encontros em aeroportos ou no trânsito.

O enredo é contado de forma bem interessante, com idas e vindas no tempo, com recursos bastante inusitados para retratar o humor oscilante do personagem central. Além disso, dos figurinos aos cortes de cabelo, o filme tem todo um ar "retrozinho" que eu adoro. E tem os maravilhos Smiths com duas músicas na excelente trilha sonora. "Please, please, please, let me get what I want" é simplesmente a melhor música do meu mundo.
Agora, vamos combinar: mocinhas com caras de boazinhas são as piores né não? Aquele velho papinho depois de usar de todas as formas possíveis de sedução: "mas eu nunca te prometi nada, prometi?" Sobre este perfil feminino (as "boazinhas" sedutoras), ainda vou comentar o ótimo "Amantes", um dos últimos filmes do Joaquim Phoenix. Mas isso já é papo pra outro post.

domingo, 6 de dezembro de 2009

As mulheres de Manoel Carlos

Dona Helena, eu vou bater um bolinho pra senhora! Onde já se viu ficar sem comer?
É de praxe associar o autor Manoel Carlos ao Rio de Janeiro, ao Leblon e ao balanço agradável de clássicos da bossa nova. Além disso, outra característica que atribuem a ele seria "a facilidade em decifrar a alma feminina", praticamente um Chico Buarque da teledramaturgia brasileira. Ora, mas o que seria, afinal, a tal "alma feminina"? De que mulher fala Manoel Carlos?

Em sua maioria, as mulheres de Manoel Carlos são ricas. Algumas muito ricas. A maioria não trabalha ( o que fazem, por exemplo, Tereza e suas filhas? Betina ou mesmo a drunkoréxia Renata?). Elas podem ser professoras ou médicas, mas tanto as escolas como os hospitais em que trabalham parecem um shopping center.

Aliás, para não cometer injustiças, algumas mulheres de suas novelas trabalham muito. Além da conta, quase escravas. São as empregadas domésticas, sempre uniformizadas a qualquer hora do dia e da noite. Elas se dividem em duas categorias: as cordatas, quase santas, "ouvido penico" da patroa, ou as curvilíneas perigosas, objeto de cobiça do patrão.

Ah, as mulheres de Manoel Carlos são barraqueiras. Adoram uma baixaria. Algumas rolam no chão aos tapas com outra mulher. Geralmente por conta de outro homem.

E elas comem? Nem pensar. As mulheres de Manoel Carlos têm horror à calorias. E não estamos falando das personagens que tem transtornos alimentares, mas de todas. Só comem saladinhas, estão sempre de dieta.
As mulheres de Manoel Carlos são fúteis. Só falam de roupas, dietas, homens e, principalmente, mal de outras mulheres. Os homens aparecem em seus discursos como objeto de disputa de poder entre elas, não como objeto de amor. Aliás, o que seria amor nas novelas de Manoel Carlos? Você sabe?

Sei lá, não consigo me identificar com essas mulheres. Novela é ficção e entretenimento, mas "Viver a vida" só tem conseguido me deixar irritada. As mulheres de Manoel Carlos são mulheres lidas a partir da cabeça de um homem machista. Estou errada?

sábado, 21 de novembro de 2009

Dois vestidos rosa

É comum entre as meninas pequenas gostar de ver o vestido de noiva das mães. Pelo menos, era. Algumas até gostavam de experimentar, de preferência com um sapato de salto que fazia sumir os pezinhos. E eram vestidos como de princesas: longos, com babados, alguns com plumas (era moda nos anos 60/70), outros em renda. Neste quesito, eu era frustrada. Não gostava do vestido da minha mãe porque não era nada romântico a meu ver, nem parecia com o de uma princesa. Era um minivestido. Rosa. Sem grinalda ou véu.
Minha mãe casou-se no auge da ditadura militar, no início de 1971. Já tinha mais de trinta. Não quis casar na igreja. Meu pai era amigo de um padre aventureiro e o chamou para celebrar a cerimônia. Em casa. Em troca, o levou em um avião pequeno para passear em Miami.

Hoje, com o escândalo do caso Geisy, lembrei do vestido de noiva de minha mãe, o símbolo de uma juventude que descobria o feminismo. A maioria das convidadas de mamãe estavam de minissaia e ninguém era vaiada ou xingada por isso. Todas lindas.

Lembrando do vestido rosa de minha mãe, consigo ter a dimensão do quanto ele foi romântico, enfim. Representou uma época em que as mulheres ousaram mostrar as pernas e as idéias. Ninguém poderia imaginar que, quase quarenta anos depois, dentro de um regime democrático, aconteceria um fato como o vergonhoso ocorrido na UNIBAN, onde o feminino foi tão covardemente agredido. Ninguém imaginaria ainda que a protagonista faria uso da publicidade do fato para ter seus quinze minutos de fama. Com suas pernas. Não com suas idéias.

Post inspirado aqui