Não sei por qual razão, estabeleceu-se que adolescente é um ser imbecil. Se não há essa crença, como explicar o fato de que muitas obras de ficção atuais o tratam como tal? De filmes americanos a Malhação, qual é a linguagem utilizada com adolescentes? Personagens pobres, enredos, idem. Peralá, falta de vivência não implica em imbecilidade, certo?
Foi nesse clima pessimista que assisti "As melhores coisas do mundo" de Laís Bodansky, apesar dos muitos elogios recebidos. Fiuk, éca, esbravejou meu lado preconceituoso. Sem esperar muito, fiquei extremamente feliz com o filme. Kevin Arnold ficaria orgulhoso.
Adolescentes são pessoas, não caricaturas. Estamos mais propensos, nesta época, a ter comportamentos não tão bacanas. É só lembrar da nossa própria adolescência e pensar em como pessoas legais faziam e diziam coisas cruéis, inclusive a gente. Ditadura do grupo é terrível, o colégio é o universo e o primeiro amor é o único. O primeiro pé na bunda a gente também nunca esquece e se "a fila não anda" queremos morrer. Eu tinha uma fita K7 inteira com "Take my breath away" e "Every breath you take", o melô do apaixonado obsessivo, a trilha de uma morte iminente. Em tempos sem facebook e derivados, eu roubava fotos 3x4 de carteirinhas da escola.
O que quero dizer é que o filme de Laís Bodansky me fez pensar na minha adolescência. Apesar da globalização e da internet, o adolescente dos anos 2000 não estão muito distantes de adolescentes de outras épocas. Algumas feridas doem do mesmo jeito. Embora seja óbvio, a diretora mostra que adolescentes podem ser personagens encantadores e complexos. Algo da adolescência permanece em nós já adultos, mas jamais teremos aqueles mesmos olhos novamente. Ou seja, "As melhores coisas do mundo" é um filme para assistir e guardar.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
domingo, 16 de maio de 2010
O segredo dos seus olhos
"Brasileiro não tem memória", dizem muitos. Eu concordo em partes quando converso com pessoas que nem sabem que houve uma ditadura no Brasil, ou que elogiam Fernando Collor e Sarney. Em contrapartida, sinto que nossos vizinhos chilenos e argentinos sofrem de reminescências. A impressão que tenho é que são povos mais melancólicos, passionais, saudosistas. Fazendo uma comparação grosseira, o ritmo símbolo do Brasil é o samba, enquanto que o da Argentina, por exemplo, é o trágico tango.Tudo isso para falar do filme mais emocionante que assisti nos últimos, sei lá, dez anos. "O segredo dos seus olhos" (2009), filme argentino que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro merece, de fato, todas glórias que recebeu. Há uma melancolia cortante que percorre todo o filme, apesar de te fazer rir com gosto em muitos trechos.
Os dois personagens masculinos principais sofrem com suas lembranças, associadas às mulheres que amaram e com as quais não puderam vivenciar e concluir uma história. O pano de fundo é o cinzento ano de 1974, auge da ditadura argentina (e também brasileira). O filme trata de histórias dolorosamente interrompidas. Em suma, trata-se de um filme de amor, ainda que seja também um drama e um bom suspense. Riso e choro se alternam na sala de cinema.
Apesar da estrela do filme ser o ótimo Ricardo Darín (ator fetiche do diretor Juan Jose Campanella), a fragilidade impressa por Pablo Rago comove. Aliás, esta ator participou de outro grande filme argentino, ganhador do Oscar de 86, o belíssimo "A história oficial", também passado nos tempos da ditadura. É um legítimo filme "de cinema", para assistir no escuro, olhando para uma tela grande, sem pausas para recuperar o fôlego. Vale a pena.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Comédia (nada) romântica

Comédia romântica já não faz minha cabeça mais desde, sei lá, 1998. Acho que foi o ano de "Mensagem pra você", antes das milhões de plásticas da Meg Ryan. Depois, perdi a paciência.É tudo sempre igual. Eu até tolero os clichês, mas depois de certa idade algumas coisas começam a ficar intoleráveis. Cara conhece garota. Eles brigam o filme inteiro para depois descobrirem que se amam. Às vezes, eles se gostam, mas há um mal entendido durante o filme que os separam. O final sempre se dá com correria. Ou um deles está para casar, ou vai viajar e o outro chega correndo para impedir. E ficam juntos.
Daí que eu resolvi assistir um desses novamente. Tarde chuvosa, 2012 (éca) em todos os cinemas, restou esse: 500 dias com ela. Já tinha ouvido falar (bem), mas amei. Cara conhece garota. Eles brigam e vivem bons momentos durante o filme e se separam. No entanto, o final é bem mais realista. BEM mais realista. Sem correrias e encontros em aeroportos ou no trânsito.
O enredo é contado de forma bem interessante, com idas e vindas no tempo, com recursos bastante inusitados para retratar o humor oscilante do personagem central. Além disso, dos figurinos aos cortes de cabelo, o filme tem todo um ar "retrozinho" que eu adoro. E tem os maravilhos Smiths com duas músicas na excelente trilha sonora. "Please, please, please, let me get what I want" é simplesmente a melhor música do meu mundo.
Agora, vamos combinar: mocinhas com caras de boazinhas são as piores né não? Aquele velho papinho depois de usar de todas as formas possíveis de sedução: "mas eu nunca te prometi nada, prometi?" Sobre este perfil feminino (as "boazinhas" sedutoras), ainda vou comentar o ótimo "Amantes", um dos últimos filmes do Joaquim Phoenix. Mas isso já é papo pra outro post.
domingo, 25 de janeiro de 2009
"O curioso caso de Benjamin Button"

"Somos predestinados a perder as pessoas que amamos. De que outra maneira saberíamos como são importantes para nós?"
David Fincher, diretor de "O curioso caso de Benjamin Button" é um bom contador de histórias. Assim como Forrest Gump, personagem que parece um primo-irmão de Benjamin. E, assim como o filme "Forrest Gump"(1994), a saga de Benjamin Button vem entremeada de frases que o ilustram, tais como a que dá inicio este post.
Forrest (Tom Hanks) era um cara limítrofe. Um herói bom e puro, com uma mãe (Sally Field) que faria qualquer coisa por amor a ele. Com pouca malícia, este homem, um tanto quanto limitado e comum, atravessa eventos extraordinários sem se dar conta (conhece Elvis, vai para a guerra do Vietnã, ajuda John Lennon a escrever Imagine, etc). Atravessa quase todo o século XX praticamente sem envelhecer e amando a mesma mulher. Já Benjamin (Brad Pitt) é um homem que nasce com uma estranha característica: tem cerca de 80 anos ao nascer. A mãe morre no parto, e o pai o rejeita, deixando-o num asilo. Lá, ele encontra sua mãe de criação que, a despeito das dificuldades, parece fazer qualquer coisa por amor a ele. Benjamin é bom, um herói puro de sentimentos. Ao longo da vida, este homem, ingênuo e casto aos 80, vai aprendendo as malícias da vida enquanto rejuvenesce. O dom de rejuvenescer enquanto passam-se os anos faz dele um homem extraordinário, vivendo coisas comuns (o primeiro emprego, a primeira mulher, o primeiro porre, o amor). Também como Forrest, ele atravessa o século XX amando a mesma mulher.
Há que se ver os dois filmes sem grandes críticas. São fábulas. Benjamin, em especial, nos mostra que o que seria uma grande dádiva ( tornar-se cada vez mais jovem enquanto se ganha sabedoria) não nos proteje das perdas inerentes à vida. Emociona por falar, com delicadeza, de dois grandes amores (indissociáveis segundo a psicanálise): o da mãe e o de outra mulher. A mãe de Benjamin o amava de qualquer forma. Daisy (Cate Blanchet), seu grande amor, o amava, independente de qual fase da vida estavam, e das diferenças de idade. Amava-o. Simples assim. E, afinal, o que mais buscamos na vida, senão isso?
David Fincher, diretor de "O curioso caso de Benjamin Button" é um bom contador de histórias. Assim como Forrest Gump, personagem que parece um primo-irmão de Benjamin. E, assim como o filme "Forrest Gump"(1994), a saga de Benjamin Button vem entremeada de frases que o ilustram, tais como a que dá inicio este post.
Forrest (Tom Hanks) era um cara limítrofe. Um herói bom e puro, com uma mãe (Sally Field) que faria qualquer coisa por amor a ele. Com pouca malícia, este homem, um tanto quanto limitado e comum, atravessa eventos extraordinários sem se dar conta (conhece Elvis, vai para a guerra do Vietnã, ajuda John Lennon a escrever Imagine, etc). Atravessa quase todo o século XX praticamente sem envelhecer e amando a mesma mulher. Já Benjamin (Brad Pitt) é um homem que nasce com uma estranha característica: tem cerca de 80 anos ao nascer. A mãe morre no parto, e o pai o rejeita, deixando-o num asilo. Lá, ele encontra sua mãe de criação que, a despeito das dificuldades, parece fazer qualquer coisa por amor a ele. Benjamin é bom, um herói puro de sentimentos. Ao longo da vida, este homem, ingênuo e casto aos 80, vai aprendendo as malícias da vida enquanto rejuvenesce. O dom de rejuvenescer enquanto passam-se os anos faz dele um homem extraordinário, vivendo coisas comuns (o primeiro emprego, a primeira mulher, o primeiro porre, o amor). Também como Forrest, ele atravessa o século XX amando a mesma mulher.
Há que se ver os dois filmes sem grandes críticas. São fábulas. Benjamin, em especial, nos mostra que o que seria uma grande dádiva ( tornar-se cada vez mais jovem enquanto se ganha sabedoria) não nos proteje das perdas inerentes à vida. Emociona por falar, com delicadeza, de dois grandes amores (indissociáveis segundo a psicanálise): o da mãe e o de outra mulher. A mãe de Benjamin o amava de qualquer forma. Daisy (Cate Blanchet), seu grande amor, o amava, independente de qual fase da vida estavam, e das diferenças de idade. Amava-o. Simples assim. E, afinal, o que mais buscamos na vida, senão isso?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Nome Próprio

Ainda que eu seja uma blogueira bissexta que não gosta de expôr a vida pessoal, fui conferir "Nome Próprio", filme dito independente, com Leandra Leal. O filme trata justamente da vida de uma blogueira com pretensões de romancista, Camila. O diretor Murilo Salles inspirou-se em dois livros de Clarah Averbuck, que por sua vez, teve seu auge na blogosfera em 2001, quando deu-se início à febre dos blogs-confissão (exposição).
Fui assistir por duas razões principais: a própria Leandra, que considero ótima atriz e o tema (blogs), inédito enquanto tema principal.
Não sei se gostei. O filme abusa dos palavrões, de cenas de sexo e nudez (algumas necessárias, outras não) e de menstruação, esperma e vômito (totalmente desnecessários). Há como insinuar sem mostrar, a não ser que a intenção seja chocar mesmo.
Leandra Leal está bem, como sempre. E linda, em sua beleza não-óbvia. Os rapazes, com certeza, dariam adjetivos diferentes. Aliás, tive a sensação incômoda de que o diretor devia ter uma fixação pelo corpo da atriz, quase uma insistência em mostrar como ela é gostosa mesmo. Pode ser só uma impressão minha, mas que achei isso, achei.
E, para finalizar, achei Camila, a personagem, chata. Não consigo ver como heroína uma personagem tão narcisista, egoísta e mimada. Mulheres ditas "guerreiras" que só enxergam o próprio umbigo e usam o outro como forma de obter coisas em seu próprio benefício não me dizem nada.
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