domingo, 17 de julho de 2011

Cinco anos...


Cinco anos pode ser bastante tempo. Ou não.
Há cinco anos dei início a este "humirde" blog. Tinha outro nome e um template tenebroso. Havia alguns visitantes e atualizações quase diárias e compulsivas. Não coincidentemente, iniciei meu processo de análise pessoal na mesma época. Percebi a "coincidência" um tempo depois.

Em uma época de blogs confessionais (os tais diários virtuais) e  "flogões", quis fazer algo menos pessoal em 2006.  Meu objetivo era falar de televisão e cinema. De qualquer forma, imaginava que ninguém fosse ler. Não era hábito no meu círculo de amigos alguém escrever um blog. E amigos costumam fazer uma certa caridade conosco, dar aquela forcinha básica. Qual não foi minha surpresa quando pessoas, até então desconhecidas, começaram a aparecer por aqui.

Depois de cinco anos, alguns visitantes permanecem. Outros, que iniciaram seus blogs na mesma época, estão em grandes portais e continuam escrevendo um monte, agora com maior visibilidade. Muitos sumiram neste espaço virtual de meu Deus. Nunca vi seus rostos; apenas avatares e um nick que, antes de sumirem, tornaram-se figuras familiares e afetivas. Através deste espaço, descobri blogueiros "gêmeos de alma", aprendi muito, apaixonei-me por textos e por figuras incríveis atrás dos textos.

Era a época do orkut, aquele espaçozinho azul-argentina que motivou amor e ódio. O blog acompanhou meu nascimento no orkut, o primeiro orkuticídio e a ressurreição. Em tempos atuais de twitter e facebook, meu perfil no orkut continua lá, sobrevivente, em um espaço que parece uma casa de praia abandonada. Há os testemunhos de outros tempos e anúncios que parecem propaganda de verões antigos. Falta só o requeijão estragado na geladeira, o shampoo vencido e a coragem de cometer o orkuticídio novamente e, desta vez, definitivo.

Cinco anos, como disse, pode ser bastante tempo. E é, quando percebo que não me reconheço em muitos textos meus. Não é, quando percebo que continuo a mesma em muitas coisas, apesar do tempo passado. De qualquer forma, achei que seria uma razão para comemorar. Eu continuo aqui. Como blogueira bissexta, mas continuo. Não achei que fosse durar tanto. Que venham os próximos cinco. Afinal, embora os 140 caracteres sejam mais do que suficientes para uma psicanalista, para uma noveleira e cinéfila, é muito pouco.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Todos queremos ser jovens...

Trabalho com adolescentes há mais de dez anos. No período do ano que estou com eles, tento conectá-los com gerações anteriores através de imagens e música. Vejo também nesta oportunidade uma forma de resgatar uma certa dívida simbólica com os jovens que viveram antes deles, uma vez que abriram portas para muitas das coisas vividas hoje. É interessante (e melancólico) observar como a chamada geração Y olha a geração 80, por exemplo, como uma época  longínqua, quase pré-histórica. De fato é, se observarmos as revoluções por minuto que ocorreram desde então. Este vídeo sintetiza isso tudo de forma emocionante, mesclando imagens e ícones de várias gerações. Desfrutem!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

No ar, mais um campeão de audiência...

Eu não me lembro quando "O Astro" passou na tevê pela primeira vez. No entanto, dois anos depois, outro grande sucesso de Janete Clair fez novamente sucesso na Globo. Em 1979, entrou no ar "Pai Herói", herdeira do horário de Dancin´Days. Além da famosa autora, repetiam-se nos papéis centrais Elizabeth Savalla que interpretou a bailarina Carina, e Tony Ramos, que fez André. E devido ao carisma do par central, é a primeira novela da qual tenho uma lembrança bem nítida.

                                                       o amor rasgado de "Pai Herói"

Em "O Astro", eles foram Lili e Márcio Hayalla. Ambos com poucas novelas no currículo, o casal virou queridinho do horário nobre, tornando-se quase os novos "Tarcísio e Glória". Eu me lembro muito do olhar do Tony Ramos. Era muito pequena na ocasião de "Pai Herói", mas poderia dizer que Tony Ramos foi o primeiro homem que eu quis casar (tá, sou velha). O outro da mesma época foi o Sidney Magal, mas esta já é uma outra história.
A cena abaixo é considerada antológica na teledramaturgia brasileira. Em "O Astro", Tony Ramos, como Márcio, o filho do milionário Salomão Hayalla, abre mão do dinheiro do pai. Ele faz uma cena muito semelhante a do filme "Irmão Sol, irmã Lua" de Franco Zefirelli fazendo alusão a São Francisco de Assis. É o primeiro nu masculino em uma novela brasileira e a apresentação dos pêlos de Tony Ramos ao grande público.




Tony Ramos, muito jovem, consegue transmitir toda a inocência de Márcio no olhar. Foi o primeiro de muitos mocinhos "puros de coração" que ele viria a interpretar.
Lembro-me  de que eu queria ser Elizabeth Savalla (tá, sou velha 2) para poder beijar o Tony. E ainda por cima, em "Pai Herói" ela era uma bailarina, tudo o que eu mais quis ser até os meus cinco anos.

Na nova versão de "O Astro", o papel de Márcio será de Thiago Fragoso, que eu adoro. Pelas chamadas que foram ao ar até agora, acho que ele segura bem. Difícil, uma vez que mais do que o mistério do "quem matou Salomão Hayala", a  novela é muito lembrada pela sensibilidade do filho único e sensível do milionário. E por Tony Ramos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vida deveria ter trilha sonora?

Diana Corso, uma psicanalista de quem gosto muito por tudo o que já escreveu, é agora colaboradora da revista "Vida Simples" (excelente publicação, mas que, a despeito do nome, é bem carinha...rs). No artigo deste mês de Julho, discorreu ela sobre os aspectos inconscientes das músicas que nos invadem a mente sem mais nem menos. Escreveu lindamente sobre uma música que repetidas vezes lhe vinha e que, ao prestar atenção, percebeu que tinha muito a ver com os sentimentos vividos no momento.
No (quase) finado orkut havia uma comunidade muito bacana (aliás, um dia participar de comunidades do orkut já foi bem bacana...rs) chamada "Vida deveria ter trilha sonora". Eu diria, fazendo coro com Diana Corso que, não só deveria, como já tem. No entanto, depois do artigo dela, resolvi ouvir melhor a minha trilha.

As músicas que invadem a minha mente (ao acordar, na clínica, nos momentos mais bizarros) são, invariavelmente, bregas. E como todo brega, são dramáticas.

Há mais ou menos um mês, era uma música do Zezé e Luciano "Muda de vida". Eu nem conhecia a música direito, tive que pesquisar. A música fala de uma pessoa que manda um recado a um alguém: "Muda de vida ou vai me perder, seja comigo o que sou com você. Você está perdida e não sabe o que quer. Muda de vida!!". Não levei ao pé da letra, mas fez sentido no momento em que vivia, ansiosa por uma mudança (inclusive de casa, veja só). A voz de Zezé era imperativa o dia todo e gritava nos meus ouvidos "Muda de vida!!". Detalhe: eu tenho pavor de Zezé di Camargo e Luciano.
MUDA DE VIDAAAAAAA!!!

Ao término de relacionamentos sofridos, a trilha piora. Vai de KLB a Leandro e Leonardo (por que sertanejos, meu Deus, por quê???). A mais recorrente é "que estou morrendo, morrendo por dentro... é tanta saudade morando em meu peito (...)". Às vezes a língua muda e os sucessos são internacionais, mas a breguice continua. Que tal acordar com Bonnie Tyler: "and I need you tonight, and I need you more than ever"? "Total eclipse of the heart" gritada às sete da manhã. E taí uma música para cantar gritando. Assim como "I wanna a hero", variação igualmente gritada da mesma cantora.

Uma conclusão bem grosseira é a óbvia. Sou hiperbólica com os meus afetos, ainda que não os demonstre tanto assim. Minha trilha sonora escolhida inconscientemente a dedo me mostra isso. Não acordo jamais com uma música do Chico Buarque. No entanto, me intriga a última música insistente que me perseguiu dia desses. Estava na melancólica cidade de Praga e de repente:

"Tira a calça jeans, bota um fio dental, morena você é tão sensual"
Recuso-me, terminantemente, a tentar interpretar. E, pelamor de Deus, Zezé di Camargo até vai, mas "Os morenos"?



Escrevi também sobre trilhas sonoras (e o brega) aqui: http://letrasdelets.blogspot.com/2009/09/ja-fui-inumeras-festas-do-cafona-ou.html

domingo, 5 de junho de 2011

Luto e Melancolia na tela grande

Sigmund Freud escreveu dois textos belíssimos que reli dia desses. Mesmo aqueles que não simpatizam muito com a obra do "pai da psicanálise" irão apreciar sua escrita acessível e literária. "Luto e Melancolia" (1917) e "Sobre a transitoriedade" (1915) são textos curtos escritos em um momento de transição da teoria psicanalítica. A grosso modo, ambos versam sobre perdas e a forma como lidamos com elas.

Lembrei dos textos ao assistir um filme recente ("Reencontrando a felicidade"- 2010) que trata de um tema espinhoso: a perda de um filho pequeno em uma morte trágica. Nicole Kidman e Aaron Eckhart interpretam o casal que tem de juntar os pedaços juntos após a dor imensurável da perda de um filho. Nicole foi indicada ao Oscar deste ano como melhor atriz por este papel. No entanto, foi eclipsada por Natalie Portman que acabou levando o prêmio. O ano foi de Natalie e seu "Cisne Negro", sem dúvida. No entanto, Nicole Kidman também merecia. Sem um pingo de botox, todas as expressões foram possíveis em sua interpretação de uma mãe amargurada. Ela, que em outros tempos brilhou com a melancólica Virgínia Woolf no denso "As horas"(2002), faz agora uma mãe em luto. Não assistia a um filme tratar de forma tão realista a dor do luto desde o tristíssimo "O quarto do filho"(2001).

O que é perdido quando se perde um objeto de amor? Além do objeto de afeto, o que se vai? "Reencontrando a felicidade " tangencia essas questões, questões estas que foram aprofundadas nos textos do tio Freud. Há que se estar inspirado para assistir, sem dores muito recentes. No entanto, para quem  aprecia um bom drama e não tem medo de chorar no cinema, vale a pena. Nicole Kidman prova que está em excelente forma. E Sigmund Freud também.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um tapa na cara da sociedade!

Uma das cenas mais marcantes do cinema é a de Scarlett O´Hara arrancando um rabanete(!) da terra e jurando não mais passar fome novamente.

Ainda que jure por Deus, ela acrescenta que poderia roubar, matar e caluniar para que isto não acontecesse mais. A cena em que ela toma emprestada a cortina verde para fazer um lindo vestido marca o início da reviravolta de Scarlett na trama. Alguns dizem que "E o vento levou" é das histórias de amor mais lindas do cinema. Não é.  O filme é a história de uma mulher linda, forte e egoísta. Scarlett não amava nem Ashley e nem Rett Butler. Scarlett só amava a si mesma e sua terra: Tara.
Lembrei de Scarlett ao assistir a nova história de Norma (Glória Pires) em "Insensato Coração". A novela começou meio capenga mas, ao que parece, começa a reagir. Não há audiência que resista a uma história de vingança e recomeço, especialmente quando envolve humilhação. Embora o brasileiro seja, em sua maioria, criado na religião judaico-cristã, muito pouca gente gosta de oferecer a outra face. O tema da vingança (especialmente a feminina) tem lugar cativo na teledramaturgia nacional. E é legitimada, ainda que seja aos moldes de Scarlett: roubando, matando e caluniando.

Um dos clássicos do terror adaptados para o cinema foi "Carrie, a estranha" (1976). A paranormal Carrie (Sissy Spacek) era uma adolescente atormentada por uma mãe fanática religiosa e seus colegas da escola. Na festa de formatura, ela começa sua vingança. Silvio de Abreu fez sua versão de Carrie com Regina Duarte e seu banho de lixo em "Rainha da Sucata" (1990). A moça pobre se vinga mais tarde tornando-se milionária (a tal rainha do título) e casando-se com sua paixão adolescente que a teria humilhado tanto (Edu Figueroa, de Tony Ramos). Walcyr Carrasco escreveu sua Carrie: a doce Ana Francisca (Mariana Ximenes) de "Chocolate com Pimenta" (2003). Aguinaldo Silva, por sua vez, adaptou a já antológica Tieta (1989).

Ah, que sucesso faz o "tapa na cara da sociedade" ou, mais ainda, no algoz, geralmente um homem (seja o pai, o canalha, o playboy). Incrível como nessas colunas sentimentais apresentadas em vários portais observa-se imenso número de comentaristas que palpitam quando uma leitora sofredora abre seu coração. Se foi enganada e deixada, o conselho vem quase em uníssono: vingue-se, depois siga em frente.
Não, a vingança não é uma característica feminina. No entanto, mulheres ainda assistem muita novela e adoram uma reviravolta, especialmente quando envolvem um banho de loja. É bom ser Cinderela e Tieta de vez em quando, ainda que seja só na ficção. Isso desde Scarlett O´Hara e o vestido verde de cortina.

Scarlett e seu milagre de alta costura

domingo, 15 de maio de 2011

Vida louca, vida breve...

Eu não me lembrava que ele tinha morrido tão jovem. Lauro Corona tinha 32 anos quando faleceu, em 1989, em decorrência de AIDS. Isso foi há mais de vinte anos quando a homossexualidade e AIDS ainda eram temas tabus. Foi no mesmo ano em que a doença levou Cazuza.
Lembrei de Lauro Corona ao ler sobre ele na revista Joyce Pascowitch deste mês. A revista costuma relembrar ídolos de outros tempos. Esquecidos ou nem tanto.
Laurinho, como era conhecido, era presença onipresente na tevê. Era o equivalente, talvez, a um Cauã Reymond ou, pela semelhança física, um Bruno Gagliasso. Foi ídolo teen nos anos 7o e elogiadíssimo por seu talento nos anos 80. Além da pouca idade, chamou-me atenção o pouco tempo que ficou na mídia: 10 anos. A impressão que tinha, talvez por ser eu também muito novinha, era de que Lauro Corona esteve na tevê por muito tempo.
Morrer com AIDS naqueles tempos era algo muito triste. Era uma doença que não se falava o nome. Muitos artistas iam sumindo da mídia e, tempos depois, sabía-se da morte por causas misteriosas. Lauro Corona estava gravando uma novela das seis na época (Vida Nova) e, apesar de ser protagonista, teve de interromper sua participação. Já não tinha mais os cachos que o fizeram famoso e os olhos azuis pareciam muito distantes. A AIDS tinha uma cara. O olhar de quem tinha AIDS, aliado ao emagrecimento e, por vezes, ao efeito do AZT, era inconfundível. Lembro-me da sensação que tive ao assistir Lauro Corona em sua última novela. Eu senti que ele não faria mais nenhuma.
Pensando no ator, tive vontade de revê-lo cantar, junto de uma adolescente Glória Pires, o tema do casal em Dancin´Days. Segundo pessoas próximas, na época, eles eram tão amigos e viviam tão em sintonia que até respiravam no mesmo ritmo. É minha música preferida de Chico Buarque: João e Maria.