domingo, 2 de novembro de 2008

Divas abandonadas...

"Com um gênio ruim desse, vai acabar ficando sozinha."

Quem nunca ouviu essa praga? Até eu, que sou um doce (cof, cof), em momentos de botar a boca no mundo, escutei essa.

Sei lá por quê, lembrei disso ao assistir um especial sobre Maria Callas, a grande diva da ópera, no GNT. Até hoje incomparável em seu talento como cantora, Callas era terrível. Charmosa, temperamental e inteligente, foi apaixonada pelo ogro e milionário Aristóteles Onassis. Ele teve um caso com ela por anos, mas casou-se com outra (Jackie Kennedy). O abandono foi mundialmente comentado. Já pensou receber um fora público desses? Pois é, Maria Callas, a diva, recebeu. E de um homem feio feito o cão. Será que foi o gênio ruim de Callas? Que nada, Onassis devia gostar de mulher geniosa porque Jackie Kennedy, a escolhida, também era insuportável. E também tinha levado um chifre público, olha só, quando John Kennedy envolveu-se com Marilyn Monroe. Essa, aliás, que tinha rosto de bebê e um corpo de enlouquecer, foi abandonada várias vezes. Inclusive por Kennedy.

Esta e outras histórias estão no livro "Divas Abandonadas", de Tetê Ribeiro. Caras colegas, até divas são abandonadas. Algumas geniosas, outras nem tanto, mas todas curtiram um pouco de solidão. E, com certeza, não foi só por conta do "gênio ruim". Foi porque dor de cotovelo e solidão fazem parte da vida de todas nós. Doces, ou nem tanto.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Em terra de cego...

quem tem olho, nem sempre é rei. Que o diga a personagem de Julianne Moore no denso "Blindness". Ver, quando ninguém vê, por vezes, é uma escravidão. Uma solidão sem fim.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A paixão nos tempos do cólera...


Para quem gosta de bons filmes dramáticos e é fã do grande Edward Norton, recomendo "O despertar de uma paixão", longa de 2006. Reconheço que drama não é um gênero fácil, mas a forma como a história, adaptada de um romance, é contada, emociona, verdadeiramente. Quem leu o livro, diz que Edward Norton, que foi um dos produtores, conseguiu fazer uma história ainda melhor.


O enredo trata da vida de dois jovens que se casam, mas que mal se conhecem. Um bacteriologista tímido e sem-graça Walter (Norton) apaixona-se pela exuberante e mimada Kitty (Watts). Ela não se encanta propriamente com ele, mas aceita o pedido de casamento, com o claro intuito de sair da casa da mãe.


Ela, casada, acaba traindo o marido com um homem que é o seu oposto: másculo, extrovertido, sedutor e com caráter duvidoso. O marido descobre e, amargo, quer vingar-se dela, levando-a para um lugar sem conforto e isolado na China, na época de uma grande epidemia de cólera.


O que virá da convivência destas duas pessoas feridas faz a magia do filme. Assim como Kitty, você passa a ver Walter de outra maneira. Como Walter, aos poucos você percebe que Kitty não é tão fútil assim. A paixão surge, então, de um casamento falido.


O casal não parece irreal, você sente que pode encontrá-los por aí, daí a emoção verdadeira que desperta. Isso deve-se muito ao talento dos dois atores, que estão magníficos. Vale, vale muito a pena a locação.

domingo, 19 de outubro de 2008

Confissões

Ontem, assistindo ao "Saia Justa", identifiquei-me com Mônica Waldvogel, as always. Adoro a Betty Lago, é quase um hábito adorar as mais "non sense", mas me identifico com as certinhas, fazer o quê. Mônica disse duas frases que cabem bem para mim:

- Engraçado, Madonna não me diz nada.
- Já tentei ser patricinha inúmeras vezes, mas algo me escapava, algo sempre fugia.

Sim, caros, eu já tive um passado militante, já fui cara-pintada, já votei no sapo barbudo quando ele era de esquerda, mas já desejei TAMBÉM ser patricinha.Não consegui, assim como não consigo ser loira, pois a alma é morena, seja lá o que isso quer dizer. E não iria a um show da Madonna.

PS: Quero ir ao show do REM, mas me falta companhia disposta. Michael Stipe, esse sim, é minha diva.

Pobres Meninas...

E antes que o ano chegasse ao fim, tivemos uma nova Isabela Nardoni, a pobre Eloá Pimentel. Triste o fim destas duas meninas, que morreram, como tantas outras, nas mãos daqueles que um dia lhes deram afeto. E, sinal desses nossos vergonhosos tempos: rodeadas pelos urubus da imprensa marrom.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Fotos


Amiga minha, chegada em descobrir novos horizontes, aventurou-se em candidatar-se para vereadora de sua cidade, alguns anos atrás. Popular que era, caprichou no santinho, pintou o carro com o número de sua candidatura e investiu firme. Não ganhou a eleição, apesar da votação expressiva, mas ganhou um namorado, que apaixonou-se por ela através da foto do santinho. Não ficaram muito tempo juntos, mas a história rende até hoje.


Lembrei dela ao ler a história pitoresca, para dizer o mínimo, de Beto Barbosa, que, segundo matéria de Rosana Hermman, entrou em depressão e começou a frequentar um cemitério. No cemitério, apaixonou-se pela foto de uma moça que estava enterrada lá. Passou a velar o túmulo da moça, religiosamente. Conheceu a mãe dela, por quem ficou sabendo da história trágica da menina (ela havia se suicidado). Na aproximação com a família, conheceu a irmã da falecida, apaixonou-se e se casou com ela.


Ambas as histórias chegam a ser hilárias, apesar do romantismo implícito. Me deu vontade de assistir "Em algum lugar do passado" (1980), quando Christopher Reeve se apaixona por uma foto antiga. Para mim, o filme mais romântico do mundo. Lindo.