Ah, como é bom chorar no cinema. Todas aquelas lágrimas deslocadas de algum lugar ou momento para desembocar naquele escurinho "protegido". Ah, agora posso! E dá-lhe olhos inchados.
Sem nenhum rigor, acredito que um dos primeiros filmes "de chorar" foi o "Suplício de uma saudade" nos já longínquos anos 50, com um (ainda) garotão William Holden. Outro que é um clássico da choradeira é "Love Story"(1970), também um representante mór de outra categoria: os "filmes de doença". "Filmes de doença" geralmente também são "filmes de chorar".
Muito se falou a respeito de um sucesso recente do cinema: "P.S. Eu te amo", com Gerald Butler. Não sei se pelo fato das pessoas me avisarem de antemão para preparar o lencinho, eu torci o nariz. Toda cena parecia meticulosamente calculada para ser "a hora do choro". É um legítimo "filme de doença" + "filme de chorar". Clichezão, a gente vê por aqui.
Daí que eu escolhi assistir a um filme novo (deste ano, creio eu), com título de música que toca na rádio AM: "Não me abandone jamais". A escolha se deu pela atriz, a fofa Carey Mulligan. A sinopse, descrita brevemente, era sobre a história da relação de três adolescentes que crescem juntos. Inocentemente, achei que o filme fosse leve. Ledo engano.
Não sei se para qualquer um pode-se dizer que é um "filme de chorar", nem "um filme de doença", embora envolva hospitais e tudo mais. Há algo de ficção científica, inclusive. O que sei é que devo ter chorado pela vida inteira dentro do cinema. Se você não suporta obviedades, vá conferir. O filme vale pela fofíssima atriz citada acima, mas especialmente pelo rapaz protagonista (Andrew Garfield, de "A rede social"), que tem um olhar de cortar a alma em duas. Há como se falar de amor (além de outros tantos temas no filme) sem parecer um idiota e isso pode, de fato, emocionar.
P.S.: Escrevi um post sobre outro filme bom da "catiguria" aqui: http://letrasdelets.blogspot.com/2008/10/paixo-nos-tempos-do-clera.html:
terça-feira, 12 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
A bela fera
Ela não era doce como Marilyn, nem tinha aquele corpão todo. Também não era elegante como Grace Kelly e Audrey Hepburn. Não cantava e dançava como Doris Day e Judy Garland. Aliás, sua voz tinha algo de esganiçado e era bastante marcante em alguns dos papéis de megera que interpretou. Apesar disso, nunca houve "beleza de cinema" como a de Elizabeth Taylor. Com ela, morre uma época.
Apesar do rosto de anjo, Elizabeth Taylor sempre foi "bocuda". Grandiosa na tela, ela era baixinha (não tinha 1,60!) e invocada. Bem jovem, já falava o que pensava e não tinha papas na língua. Sempre foi conhecida por ser autêntica e fiel aos amigos por mais controversos que eles pudessem ser. Os fãs de Montgomery Clift, Rock Hudson e Michael Jackson, apenas para citar alguns, são gratos a Liz pela generosidade que ela dedicou a eles.
Clift era sua alma gêmea no cinema. Com ele, ela formou um dos casais mais belos em um filme. Foi saindo da casa dela que ele sofreu um acidente quase fatal que deformou seu belo rosto. Ao saber do acidente (em uma das colinas de Hollywood, cheia de curvas), ela correu a pé até o local. O carro estaria destruído com o ator dentro dele. Ela teria aberto o carro e o encontrado afogado com sangue e um dos dentes quebrados. Não teve dúvidas, abriu a boca dele e tirou o dente, salvando sua vida! Além disso, quando, falido e problemático, nenhum estúdio queria arriscar cobrir seu seguro de vida, Liz chegou a dar o seu salário como garantia para que ele filmasse com ela.
Rock Hudson tinha AIDS no auge da paranóia mundial (não se sabia exatamente como era o contágio, por exemplo) e Liz aparecia abraçada a ele. Após sua morte, batalhou junto ao governo republicano e reacionário de Ronald Reagan por verba para pesquisas. Foi uma pioneira. Seu trabalho junto às pesquisas sobre a AIDS cresceu.
E o que dizer de Michael Jackson? Mesmo depois das acusações de abuso sexual e escândalos diversos, Elizabeth Taylor vinha a público acompanhada por ele em eventos, sempre o defendendo. Recusou-se, em 2009 a participar do espetáculo televisivo que a família Jackson organizou por ocasião da morte do cantor. Disse, inclusive no twitter, que sua dor não precisava ser pública.
Ela era uma "criatura do cinema", crescendo aos olhos do público. No entanto, Liz não parecia fake. Adoecia, assumia-se alcóolotra, viciada em comida e carente. Era de uma beleza inimaginável, mas de uma histeria palpável, comum à maioria de nós, mulheres. Seu obituário estava pronto há anos devido as suas inúmeras doenças, mas ela fazia pouco disso. Sua morte não chega a ser uma surpresa, mas não deixa de ser triste, especialmente para os fãs do (bom) cinema.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Loucura e ficção
Em meados dos anos 90, um filme sobre “loucura” fez imenso sucesso popular. Seu protagonista era um jovem Johnny Depp e quem contracenava com ele era, nada mais, nada menos que o “divo” Marlon Brando, após anos de recesso. O filme era Don Juan de Marco e sua trilha sonora grudenta ainda ecoa nos meus ouvidos.
Confesso que, na época, causou-me certo incômodo a mensagem final do longa. Don Juan, na verdade, era um paciente psicótico que, em seus delírios, era um aventureiro irresistível para as mulheres. A parceria deste paciente com seu psiquiatra (Brando) transforma a vida de ambos, especialmente a do médico. Ele, outrora distante da mulher, torna-se um homem mais romântico e menos rígido. Um roteiro bem americano e redondo, com um final feliz. Meu incômodo deu-se justamente por isso: pelo fato da loucura ter sido um tanto quanto romantizada e, de certa forma, confundida com ousadia, como em tantos outros filmes.
Muitos criticam o fato do filme ser exagerado. Talvez seja, mas não consigo ver onde. Outra crítica é a respeito do espectador não saber, ao final, o que foi delírio de Nina e o que de fato aconteceu. Ora, mas é justamente esta a idéia. Não há como um filme ser leve, quando se trata de loucura, doença mental, perda de realidade. Loucura, ousadia, enfiar o pé na jaca, é outra coisa bem diferente. Vale a pena assistir “O cisne negro”. Don Juan, só para ver o Johnny Depp.
Confesso que, na época, causou-me certo incômodo a mensagem final do longa. Don Juan, na verdade, era um paciente psicótico que, em seus delírios, era um aventureiro irresistível para as mulheres. A parceria deste paciente com seu psiquiatra (Brando) transforma a vida de ambos, especialmente a do médico. Ele, outrora distante da mulher, torna-se um homem mais romântico e menos rígido. Um roteiro bem americano e redondo, com um final feliz. Meu incômodo deu-se justamente por isso: pelo fato da loucura ter sido um tanto quanto romantizada e, de certa forma, confundida com ousadia, como em tantos outros filmes.
O filme sensação da temporada 2010-11 tem sido “O cisne negro”, um dos concorrentes ao Oscar deste ano. É outra abordagem da loucura. O espectador é levado a sentir, juntamente com a protagonista Nina (Natalie Portman) a perda gradual do contato com a realidade. O filme já começa com um jogo de espelhos: Nina e a mulher que se projeta nela (a mãe), Nina e a mulher que ela quer ser (Beth, a bailarina veterana) e Nina e a mulher que seria o seu lado negro (Lilly). Em sua transformação ao longo do filme, ela se vê nessas mulheres e em outras que cruzam seu caminho (no metrô, por exemplo). No universo do balé em que os limites do corpo são enfrentados diariamente, você é convidado a olhar o mundo através dos olhos de Nina (no que contribui, e muito, a movimentação da câmera). Sem exageros, você chega a sentir (especialmente dentro da sala de cinema) as dores físicas da personagem cujo corpo, real ou de forma alucinatória, se transforma. Como pano de fundo, a música cortante de Tchaikovisky.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A noite dos desesperados do BBB
Há um grande filme do final dos anos 60 que retrata com maestria o sofrimento na época da Grande Depressão Americana, pós crise de 29. "A noite dos desesperados" é um filme denso com uma brilhante Jane Fonda entre os papéis principais.
Durante aqueles anos de miséria, havia vários concursos de dança espalhados pelo país, onde o casal vencedor ganhava, desde comida a alguns poucos dólares. Os casais passavam dias dançando e alguns chegavam a morrer por exaustão. Além da dança, eles passavam por uma maratona ao longo da pista. O espetáculo deprimente era assistido por uma platéia ávida por espetáculo, que escolhia seus preferidos, estimulados por uma espécie de animador de auditório que instigava os competidores. O filme foi inspirado em um livro, escrito por um dos seguranças destes concursos, que acompanhou de perto o martírio daqueles jovens. Não há como não associar esse tipo de espetáculo "pré - Andy Warhol" aos shows "de realidade" dos nossos tempos, entre eles o famigerado Big Brother.
Nunca escondi que gosto do BBB. É um programa bem editado e ótimo entretenimento. No entanto, com o amadurecimento "dos jogadores" e do público votante, alguns macetes e jogadas começaram a ficar manjadas e o dono do circo, Boninho, tem tido que inovar. O que acontece é que ele não inova na escolha do elenco (os mesmos tipos estão lá, especialmente os acéfalos), mas exagera no estímulo à baixaria e e na tortura. Nunca houve tantas cenas editadas de uma festa como a do último sábado. O abuso de álcool aconteceu, mas dizem que também houve oferta de lança perfume. Uma das participantes entrou em coma alcóolico e foi atendida por médicos, sendo tudo devidamente gravado e apresentado no pay-per-view. Enquanto isso, o maestro Boninho se divertia e ria no twitter enquanto relatava as baixarias. Ontem, durante a prova do líder patrocinada pela Knorr, os participantes tiveram de se vestir de frangos e a entrarem num forno (Hitler feelings) madrugada adentro, onde recebiam ondas de calor. Cabia aos telespectadores a escolha sádica de qual grupo castigar mais. Muitos atravessaram a noite no twitter, divertindo-se (a là Boninho) com o sofrimento dos "brothers".
Nos concursos dos anos 30, as pessoas, miseráveis, queriam pão. Hoje em dia, querem fama em primeiro lugar, seja a que preço for. Pelo BBB já passaram, a despeito do desprezo dos intelectuais, pessoas interessantes, engraçadas, que emocionavam o público. No entanto, a exposição da sexualidade e da intimidade de forma tão crua e infantilizada como na atual edição chega a me constranger. A crueldade do diretor me deprime. O BBB 11 chega a ser tão triste quanto o show dos casais dos anos 30 que morriam na pista de dança. É, "a nave louca" perdeu a graça para mim.
Durante aqueles anos de miséria, havia vários concursos de dança espalhados pelo país, onde o casal vencedor ganhava, desde comida a alguns poucos dólares. Os casais passavam dias dançando e alguns chegavam a morrer por exaustão. Além da dança, eles passavam por uma maratona ao longo da pista. O espetáculo deprimente era assistido por uma platéia ávida por espetáculo, que escolhia seus preferidos, estimulados por uma espécie de animador de auditório que instigava os competidores. O filme foi inspirado em um livro, escrito por um dos seguranças destes concursos, que acompanhou de perto o martírio daqueles jovens. Não há como não associar esse tipo de espetáculo "pré - Andy Warhol" aos shows "de realidade" dos nossos tempos, entre eles o famigerado Big Brother.
Nunca escondi que gosto do BBB. É um programa bem editado e ótimo entretenimento. No entanto, com o amadurecimento "dos jogadores" e do público votante, alguns macetes e jogadas começaram a ficar manjadas e o dono do circo, Boninho, tem tido que inovar. O que acontece é que ele não inova na escolha do elenco (os mesmos tipos estão lá, especialmente os acéfalos), mas exagera no estímulo à baixaria e e na tortura. Nunca houve tantas cenas editadas de uma festa como a do último sábado. O abuso de álcool aconteceu, mas dizem que também houve oferta de lança perfume. Uma das participantes entrou em coma alcóolico e foi atendida por médicos, sendo tudo devidamente gravado e apresentado no pay-per-view. Enquanto isso, o maestro Boninho se divertia e ria no twitter enquanto relatava as baixarias. Ontem, durante a prova do líder patrocinada pela Knorr, os participantes tiveram de se vestir de frangos e a entrarem num forno (Hitler feelings) madrugada adentro, onde recebiam ondas de calor. Cabia aos telespectadores a escolha sádica de qual grupo castigar mais. Muitos atravessaram a noite no twitter, divertindo-se (a là Boninho) com o sofrimento dos "brothers".
Jane Fonda no filme de 1969
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
E por falar em Oscar...
Dois dos meus atores preferidos estão concorrendo ao Oscar este ano. O talentosíssimo inglês Colin Firth (já indicado outras vezes) e Mark Rufallo. O primeiro, grande favorito como ator principal por "O discurso do rei" e o segundo, como coadjuvante em "Minhas mães e meu pai", onde corre por fora.
Embora Colin Firth seja "extremamente" inglês, e Rufallo, um americano como uma certa latinidade, vejo coisas em comum nos dois. Ambos imprimem uma certa fragilidade e doçura em seus personagens, aliados a um quê melancólico, além da sensualidade.
Pois é meninas, nem só de George Clooney vive o universo dos homens maduros e encantadores. Ainda bem, não?
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Cristianos
Este post nasceu de uma associação livre. Estava eu ontem assistindo ao Big Brother Brasil (sim, sim, eu vejo aquele programa) quando foi apresentado um clip do macho-alfa de edição, Cristiano. Além dos atributos óbvios do rapaz, fiquei pensando no nome dele. Cristiano não é um nome comum hoje, mas já foi sucesso há uns 30 anos atrás, por conta de Francisco Cuoco. Cristiano Vilhena foi um dos personagens mais famosos de Janete Clair, o herói ambivalente e atormentado de "Selva de Pedra" (1972).
Na época de Selva de Pedra, havia poucos atores trabalhando numa televisão ainda rudimentar. Nos papéis de galã, alternavam no batente o próprio Cuoco e Tarcísio Meira. Tarcísio ficava com os heróis mais épicos (vide João Coragem e, mais tarde, o capitão Rodrigo) e Cuoco com os mocinhos introspectivos e melancólicos. Carlão, o malandro de "Pecado Capital" (1975) viria mudar isso.
Em Selva de Pedra, Janete Clair quis reeditar o drama de um filme clássico dos anos 50, "Um lugar ao sol". Rapaz ambicioso e pobre, que trabalha com família religiosa, decide tentar a sorte junto ao tio, que mora na cidade grande e é milionário. Ele começa a namorar uma moça pobre e, quando esta engravida, vem a atrapalhar seus planos de ascensão. No filme, o grande amor do rapaz é uma moça rica que circula nas altas rodas, o universo de seu tio. Na novela, o rapaz de fato ama sua namorada pobre. Janete Clair dá um final feliz a história original, que é trágica. O papel da mocinha coube a uma jovem Regina Duarte. Cuoco não é tão bom como Montgomery Clift, que faz o papel na tela grande, mas comoveu como Cristiano. Noveleira que sou, toda vez que ouço Cris, me lembro de "Selva de Pedra", até mesmo assistindo ao BBB.
Graças ao youtube, compartilho uma bela cena dos capítulos finais. Diziam que Cuoco era canastrão. Perto dos atores de hoje, ele merecia o Oscar.
Na época de Selva de Pedra, havia poucos atores trabalhando numa televisão ainda rudimentar. Nos papéis de galã, alternavam no batente o próprio Cuoco e Tarcísio Meira. Tarcísio ficava com os heróis mais épicos (vide João Coragem e, mais tarde, o capitão Rodrigo) e Cuoco com os mocinhos introspectivos e melancólicos. Carlão, o malandro de "Pecado Capital" (1975) viria mudar isso.
Em Selva de Pedra, Janete Clair quis reeditar o drama de um filme clássico dos anos 50, "Um lugar ao sol". Rapaz ambicioso e pobre, que trabalha com família religiosa, decide tentar a sorte junto ao tio, que mora na cidade grande e é milionário. Ele começa a namorar uma moça pobre e, quando esta engravida, vem a atrapalhar seus planos de ascensão. No filme, o grande amor do rapaz é uma moça rica que circula nas altas rodas, o universo de seu tio. Na novela, o rapaz de fato ama sua namorada pobre. Janete Clair dá um final feliz a história original, que é trágica. O papel da mocinha coube a uma jovem Regina Duarte. Cuoco não é tão bom como Montgomery Clift, que faz o papel na tela grande, mas comoveu como Cristiano. Noveleira que sou, toda vez que ouço Cris, me lembro de "Selva de Pedra", até mesmo assistindo ao BBB.
Graças ao youtube, compartilho uma bela cena dos capítulos finais. Diziam que Cuoco era canastrão. Perto dos atores de hoje, ele merecia o Oscar.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Todas as cenas de amor são ridículas?
No ar, mais uma novela do meu autor preferido: Giberto Braga. Há poucos autores que ainda gosto; Gilberto está entre eles. No universo braguiano não podem faltar a podridão de uma elite, as mazelas da classe média, os vilões ardilosos e as relações de inveja e disputa. Como esquecer de Raquel x Maria de Fátima, Maria Clara Diniz x Laura, Yolanda x Júlia Matos? Agora, ao que parece, será Leo x Pedro. O mocinho x o bandido. Torcendo para que o Leo de Gabriel Braga Nunes não nos faça ter saudades de Renato Mendes e Olavo Novaes.
No entanto, o papo deste post não é sobre o vilão, mas sobre os mocinhos. Como é difícil fazer o mocinho em qualquer novela, não acham? Mocinho e mocinha. Sobre Marina Drumond (Paola Oliveira), a heroína, os primeiros capítulos já fizeram questão de ressaltar o quanto ela é corajosa, batalhadora e moderna. Capaz de co-pilotar um avião e até beijar um rapaz que mal conhece depois de quase morrer. E Pedro, o herói de Eriberto Leão, encarnou uma versão tupiniquim de Keanu Reeves em "Velocidade Máxima". Demais para a minha cabeça. O pior de tudo não foi isso, mas o amor à primeira vista entre o dois. Por que as novelas insistem nisso, santo Deus? A cena em que os dois se declaram apaixonados foi pouco convincente, não conseguiu emocionar. A gente não vê isso, não parece crível. A paixão existe, sem dúvida, a maior parte de nós, maiores de 13 anos já passou por isso uma vez na vida. São os diálogos é que parecem inacreditáveis. Os americanos são melhores nisso, especialmente nas séries.
Não acho que as cenas de amor precisem ser ridículas. A maioria é, mas não precisam ser. É possível serem até um pouco piegas, mas não é necessário que sejam patéticas. O próprio Gilberto Braga escreveu cenas memoráveis para a corajosa mocinha Solange Duprat (Lidia Brondi) em Vale Tudo. Há cenas de paixão explícita entre ela e o Afonso de Cássio Gabus. E são realistas, mais de 20 anos depois. E Miguel Falabella escreveu um mocinho de arrepiar: o Gustavo de Wagner Moura em "A lua me disse". Adriana Esteves fez Heloísa, a heroína convincente que comeu o pão que o diabo amassou. As cenas entre os dois são lindíssimas.
Se alguém mais se lembra de cenas de amor emocionantes, palpite. Enquanto isso, deleitem-se com Capitão Nascimento apaixonado. Wagner Moura é rei, mas havia um bom texto por trás.
No entanto, o papo deste post não é sobre o vilão, mas sobre os mocinhos. Como é difícil fazer o mocinho em qualquer novela, não acham? Mocinho e mocinha. Sobre Marina Drumond (Paola Oliveira), a heroína, os primeiros capítulos já fizeram questão de ressaltar o quanto ela é corajosa, batalhadora e moderna. Capaz de co-pilotar um avião e até beijar um rapaz que mal conhece depois de quase morrer. E Pedro, o herói de Eriberto Leão, encarnou uma versão tupiniquim de Keanu Reeves em "Velocidade Máxima". Demais para a minha cabeça. O pior de tudo não foi isso, mas o amor à primeira vista entre o dois. Por que as novelas insistem nisso, santo Deus? A cena em que os dois se declaram apaixonados foi pouco convincente, não conseguiu emocionar. A gente não vê isso, não parece crível. A paixão existe, sem dúvida, a maior parte de nós, maiores de 13 anos já passou por isso uma vez na vida. São os diálogos é que parecem inacreditáveis. Os americanos são melhores nisso, especialmente nas séries.
Não acho que as cenas de amor precisem ser ridículas. A maioria é, mas não precisam ser. É possível serem até um pouco piegas, mas não é necessário que sejam patéticas. O próprio Gilberto Braga escreveu cenas memoráveis para a corajosa mocinha Solange Duprat (Lidia Brondi) em Vale Tudo. Há cenas de paixão explícita entre ela e o Afonso de Cássio Gabus. E são realistas, mais de 20 anos depois. E Miguel Falabella escreveu um mocinho de arrepiar: o Gustavo de Wagner Moura em "A lua me disse". Adriana Esteves fez Heloísa, a heroína convincente que comeu o pão que o diabo amassou. As cenas entre os dois são lindíssimas.
Se alguém mais se lembra de cenas de amor emocionantes, palpite. Enquanto isso, deleitem-se com Capitão Nascimento apaixonado. Wagner Moura é rei, mas havia um bom texto por trás.
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