Já fui a inúmeras festas do Cafona (ou bregas) ao longo da minha vida universitária (e até depois dela). Enquanto muitos riam das músicas e se divertiam, eu me emocionava e praticamente entrava em um "transe melancólico". Afinal, a trilha sonora da minha infância tocava nas rádios AM dos anos 80.
Graças a Elza (babá do meu irmão), eu conheci Almir Rogério, Gilliard, Amado Batista, Odair José, Márcio Greik, Peninha e outros artistas da chamada "parada popular". Enquanto brincava de Barbie ao lado da lavanderia, decorava as letras (nem sempre compreensíveis) dos reis da rádio. Não tinha noção que eram bregas. Para mim, eram músicas. Boas músicas.
Lembrei disso ao assistir a uma ótima entrevista da atriz Patrícia Pillar. Patrícia lançou recentemente um documentário sobre Valdick Soriano, cantor de, entre outras, "Eu não sou cachorro não", clássica regravada por Falcão (e em inglês, diga-se). A atriz passou muito tempo com Soriano, que morreu recentemente. O que a moveu a ficar tanto tempo perto dele e contar sua história foram lembranças similares às minhas. Uma infância longe dos pais (que precisavam trabalhar fora) e embalada por músicas tristes de amor, de homens que cantavam com o coração.
Este post é uma homenagem a eles. E a Elza, nossa querida babá romântica.
sábado, 19 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Pequenos (grandes) prazeres
- Achar um episódio de "Seinfeld" inédito e rachar de rir;
- Receber uma carta manuscrita, pelo correio, de uma pessoa muito querida. Bons tempos em que as cartas não eram só de banco e promoções;
- Pegar um bebê no colo;
- Encontrar R$50,oo esquecidos no bolso de uma calça guardada;
- Fazer brigadeiro de colher;
- Receber um elogio inesperado e sincero;
- Liga o rádio e ouvir a música que você necessitava ouvir naquele exato momento;
- Descobrir, ainda que tempos depois, que aquela pessoa que você tanto amou também amou você...
domingo, 23 de agosto de 2009
O que faz um campeão?

Alguém por aí ainda? (cof, cof)
Blog empoeirado, um tanto quanto abandonado... nem sei se alguém lê isso ainda.
Enfim, assuntos não faltam, mas o tempo curto e a preguiça tem tomado conta deste corpo aqui.
Hoje é a grande final de "A Fazenda" que não acompanhei e não tenho opinião muito formada a respeito. Pelas poucas cenas que vi, o pessoal do BBB é a fina flor da educação perto das "celebridades" confinadas em Itu. Mais brigas em uma semana (especialmente quando Theo Becker estava lá) do que o BBB 9 em toda a sua edição.
Algo que me intriga e tenho voltade de estudar (verdade) é o impacto que os reality shows têm na vida de muitas pessoas. Mais ainda: por que as mulheres nunca ganham um reality quando quem escolhe é o público? Eu digo mulheres e não mulheres bonitas. Mulher não ganha a não ser que seja muito pobre e tenha uma história de vida desgraçada. Mara e Cida, de vida quase miserável e selecionadas por sorteio foram as únicas ganhadoras em todos os quase dez anos de Big Brother. Bárbara Paz só ganhou a Casa dos Artistas I porque Supla era reconhecidamente muito rico. O público julgou que ele não precisava do dinheiro e deu a vitória a Barbara. No entanto, ele era, sem dúvida, o participante mais querido da Casa. Seus discos, depois do programa, venderam como água e "Japa Girl" virou hit de verão.
É quase regra que, entre o rapaz controverso (e carismático) e a moça gente boa, o público escolhe o rapaz. É assim desde Dhomini, passando por Jean Willys e chegando a Maxmiliano, o vencedor do BBB9. O acessor parlamentar Dhomini tinha histórico de agressão fora da casa. O professor Jean tinha denúncias de maus-tratos contra alunos e Max foi acusado durante e pós-confinamento de ser manipulador e arrogante. Os três, querendo ou não, tinham carisma. Isso sem contar o playboy Diego Alemão que foi transformado em príncipe consorte pela Globo. Tinha carisma, sim, mas contou com a máquina da edição global mais do que nenhum dos outros. E venceu com inacreditáveis 91%.
Agora a história parece se repetir no reality da Record. Se não houver nenhuma surpresa, o bad boy com cara de bom moço Dado Dolabella vencerá a zen Danni Carlos. Menino bonito, articulado, carismático, mas com histórico obscuro fora da casa, Dado deve repetir a história de outros vencedores, derrotando a moça gente boa. Se houver provas de resistência física e mental o tempo todo como em "No Limite", as mulheres têm chances. Em se tratando de capacidade de trabalho, liderança e organização como em "O aprendiz", elas também têm. Mas para cair nas graças do público e despertar paixões (ódio e amor intensos) tem que ser um homem?? Taí a questão.
domingo, 19 de julho de 2009
Saudades da revista AMIGA...

Houve um tempo que havia duas revistas de fofocas bem famosas no Brasil. A Contigo (que ainda existe) e a revista Amiga. As duas traziam resumos de novelas e fofocas de celebridades. Nas capas, havia sempre títulos bombásticos do tipo: "Tony Ramos não quer mais saber de Elizabete Savalla". Na verdade, era uma notícia do que iria acontecer na novela e não com os atores. Colocar o nome dos atores ao invés dos personagens causava um efeito maior (e tosco, digamos assim).
Hoje, copiamos dos gringos algo que eles tem de pior, no meu entendimento. Há muitas revistas de fofocas , além de sites especializados nisso. Com isso, cresceu o campo de atuação dos paparazzi e um maior número de notícias bizarras e inúteis ilustrando a primeira página dos portais.
A nova febre da internet é o twitter, uma espécie de "Caras" virtual. Há vários famosos por lá, nacionais e internacionais. Alguns deles"twittam" o dia inteiro, quase de minuto a minuto. Um está no táxi, outro acabou de consertar o chuveiro, outro faz sexo pelo twitter. Não é necessário mais revistas AMIGA nem portais de fofoca: basta seguir o seu ídolo para saber o que ele faz e pensa. Ele pode ser fake, ele pode mentir, mas o conteúdo está lá.
Eu tenho um blog, tenho orkut e acabei de me cadastrar no twitter. Exponho-me com grandes restrições.Moro em uma cidade pequena e cresci ouvindo fofocas sobre a vida alheia. A respeito de mim mesma, inclusive. O mundo internáutico e de celebridades anda pior do que a minha cidade. O mundo virou um microcosmo. Nunca vi tanta gente interessada na vida alheia, em que está pegando quem, traindo quem. Fico na dúvida o quanto a internet veio para facilitar o contato humano ou prejudicá-lo. A fofoca se alimenta desta intensa necessidade de exposição de famosos e anônimos.
Pessoas medíocres falam de outras pessoas, não de idéias, eu li uma vez. Sinceramente, acho que estamos ficando mais medíocres. Saudades da revista AMIGA e dos mexericos da Candinha. Mundo mais ingênuo e menos narcisista, aquele.
sábado, 11 de julho de 2009
Felipe Camargo, o "divo"
Você conhece alguém que foi fã do Felipe Camargo?Agora conhece. Felipe foi meu Robert Downey Jr brazuca. Cara de cachorro pidão, escândalos, condenação pública devido ao problema com drogas, casamento com nossa diva loira mor, Vera Fischer. Só faltava a volta em grande estilo, como Downey, o homem de ferro.
Não falta mais. Felipe voltou agora em "Som e Fúria" (que título é esse?), nova série da Globo. Quando ele arrebatou a porta do teatro enquanto os atores ensaiavam "Hamlet", não teve como não lembrar de quando ele enfrentava Renato Villar, o pai sem coração de "Roda de Fogo". Saudades de Pedro, o mocinho rebelde que usava um taco de golfe como arma. Apareça mais, Felipe. Eu ainda sou tua fã.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Vou-me embora para Paraty...
"Você é escritora? Parece escritora... " Uma pergunta pode soar como elogio e, no caso, foi. Eu estava entre escritores, "criadores", artistas, enfim, e me senti incluída, pertencente.A bela e pequena Paraty tem seu momento de "glamour" em Julho quando o Brasil todo ouve falar dela através da FLIP. Glamour, em termos. Eu diria, talvez, que visibilidade seria a melhor palavra. A parte os nomes de autores internacionais importantes e toda a mídia presente, tudo o que eu mais senti foi "o elogio do simples", uma festa democrática. Talvez houvesse mais mulheres do que homens (seria a afinidade maior das mulheres pelas ciências humanas?), mas a faixa etária era absolutamente variada. Crianças, jovens universitários com suas mochilas, trintões, quarentões, cinquentões, havia de tudo. Vi muitas pessoas mais idosas e, a despeito das imensas pedras que cobrem as ruas de Paraty, muitas bengalas! E chapéus, muitos chapéus. Eu, que adoro chapéus, mas não os uso, fiquei com vontade de usar um. Muitos velhos de chapéus, muitos jovens de chapéus. Moda totalmente eclética e desencanada, deu-me a impressão de que eu poderia usar qualquer coisa. Havia as patricinhas, mas havia muitos bichos-grilos. Muitos casais e muitos solitários. Heteros e gays.
Nos cafés, a gente sentava muito perto um do outro e as cadeiras eram disputadíssimas porque a cidade estava lotada. Era comum puxar conversa com quem estava do lado, as pessoas eram receptivas a um bom papo, a dividir a mesa. Havia tempo para conversar. E sobre livros! Sobre o que você anda lendo, vendo, escrevendo! Quer coisa melhor que isso?
Manuel Bandeira era o autor homenageado da vez, e foi de um poema dele que me lembrei por ocasião destes dias mágicos de FLIP. Paraty é minha Pasárgada!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)
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