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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Há um moreno na sua vida...

Que atire a primeira pedra a mulher que nunca foi a uma cartomante (ou ao menos sentiu-se tentada a ir). Desde os 15 já ouvimos falar de alguma "boa" que acerta tudo ("não tinha como ela saber, juro") e que geralmente mora numas quebradas, em alguns cantos da cidade que sequer imaginávamos existir. Além de ler cartas, algumas lêem a mão, são benzedeiras e ensinam simpatias. Mil e uma utilidades, portanto. Outras, dizem, falam sobre você mesmo que  não esteja presente (é só levar uma peça de roupa, por exemplo). Algumas tem fila de espera ("só tem horário pra Agosto do ano que vem!") e Fulana de Tal vem do Cafundó do Judas para consultar com essas tais. Pois é, quem é que não quer saber do futuro?

No entanto, não precisa ir a uma delas para que ela, a vidente, saiba que você sofre de amor. Cartomante que é cartomante fala do triângulo amoroso. Ele vai largar de você para ficar com ela ou vai largar dela para ficar com você? Há sempre uma outra e ela tem inveja de você, cuidado. É que você tem "estrela", gera muita inveja mesmo.

Uma carta vai chegar e vai haver uma festa. Há sempre um moreno ou um loiro, ou os dois. Um deles usa uniforme (tanto faz se de carteiro, médico ou militar). De qualquer forma, chegará um novo homem em sua vida, esqueça o do triângulo amoroso se ele te faz sofrer.
Brincando com essas inseguranças femininas e outras questões mais complexas, Woody Allen fez seu último filme ("Você vai conhecer o homem dos seus sonhos" - You Will Meet a Tall Dark Stranger). Extremamente irônico e cáustico, o diretor nos faz rir, às vezes de forma melancólica, de nós mesmos e deste mundo cão. Curiosamente, às vezes cartomantes são necessárias para que acreditemos, de fato, que  nossa estrela vai brilhar. E que mesmo os mais realistas e céticos fazem-se enganar sem precisar delas.