Tem algum lugar que você gostaria de morar e só visitou uma vez? E uma época que você acredita ser o melhor tempo do mundo para viver? Foi com essas questões que saí do cinema ao assistir "Meia noite em Paris", o último filme de Woody Allen. Como o meu saudosismo às vezes beira a chatice crônica, eu me identifiquei com o protagonista, vivido por Owen Wilson, ator especialista em viver bobalhões de bom coração.
Eu nasci em uma cidade muito pequena do interior paulista. No entanto, sou filha de um piloto de avião que, nascido na mesma cidade, voou e fez laços afetivos em inúmeros países do mundo. Hoje, trabalho em uma cidade um pouco maior, mas ainda nas proximidades de minha cidade natal. Embora sempre quisesse, jamais arrisquei ir muito longe. É comum haver um sentimento de inadequação, de ser estrangeira entre tudo o que me é mais familiar. Também é assim com o tempo. Aos onze anos, me foi pedido durante uma aula de redação que escolhesse uma figura, entre tantas, que melhor me representasse. Eu escolhi uma velhinha.
Sentía-me tão velha que chegava a chorar de saudade de coisas jamais vividas, de um tempo em que eu nem nascida era. E desenhava casas no meio da neve que seria a cidade em que era bom morar. "Ah, aquela época que era boa", falava a vovozinha de onze anos de idade.
O personagem do Owen Wilson, Gil Pender é um pouco assim. Pensa ele que se fosse morar em Paris, sairia de sua vida medíocre e teria grandes inspirações respirando o ar encantado da cidade luz. E seria ainda melhor se vivesse nos anos 20, os anos loucos, os anos em que viveram lá os gênios Fitzgerald, Picasso, Dalí, Hemingway...
Será que em Paris a vida de Gil seria tão melhor assim? E os anos 20 será que eram assim tão melhores do que os anos 2000? Talvez. De igual maneira eu penso: e se eu tivesse nascido em uma cidade maior? E se vivesse nos anos 50 em Hollywood? O objeto perdido ou distante costuma ter um valor inflacionado. Tendemos a desprezar o presente e idealizar o passado ou o futuro. E assim, o tempo passa.
Ora essa, e o que Gil Pender fez, afinal? Assista o filme para saber. Os amantes do cinema de Woody Allen talvez considerem o filme um tanto quanto comercial e torçam o nariz, mas ainda assim vale a pena. E todo filme que faz pensar um pouquinho é um bom filme, na minha opinião. Rendeu até um post.
Mostrando postagens com marcador Woody Allen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Woody Allen. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 25 de julho de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Há um moreno na sua vida...
Que atire a primeira pedra a mulher que nunca foi a uma cartomante (ou ao menos sentiu-se tentada a ir). Desde os 15 já ouvimos falar de alguma "boa" que acerta tudo ("não tinha como ela saber, juro") e que geralmente mora numas quebradas, em alguns cantos da cidade que sequer imaginávamos existir. Além de ler cartas, algumas lêem a mão, são benzedeiras e ensinam simpatias. Mil e uma utilidades, portanto. Outras, dizem, falam sobre você mesmo que não esteja presente (é só levar uma peça de roupa, por exemplo). Algumas tem fila de espera ("só tem horário pra Agosto do ano que vem!") e Fulana de Tal vem do Cafundó do Judas para consultar com essas tais. Pois é, quem é que não quer saber do futuro?
No entanto, não precisa ir a uma delas para que ela, a vidente, saiba que você sofre de amor. Cartomante que é cartomante fala do triângulo amoroso. Ele vai largar de você para ficar com ela ou vai largar dela para ficar com você? Há sempre uma outra e ela tem inveja de você, cuidado. É que você tem "estrela", gera muita inveja mesmo.
No entanto, não precisa ir a uma delas para que ela, a vidente, saiba que você sofre de amor. Cartomante que é cartomante fala do triângulo amoroso. Ele vai largar de você para ficar com ela ou vai largar dela para ficar com você? Há sempre uma outra e ela tem inveja de você, cuidado. É que você tem "estrela", gera muita inveja mesmo. Uma carta vai chegar e vai haver uma festa. Há sempre um moreno ou um loiro, ou os dois. Um deles usa uniforme (tanto faz se de carteiro, médico ou militar). De qualquer forma, chegará um novo homem em sua vida, esqueça o do triângulo amoroso se ele te faz sofrer.
Brincando com essas inseguranças femininas e outras questões mais complexas, Woody Allen fez seu último filme ("Você vai conhecer o homem dos seus sonhos" - You Will Meet a Tall Dark Stranger). Extremamente irônico e cáustico, o diretor nos faz rir, às vezes de forma melancólica, de nós mesmos e deste mundo cão. Curiosamente, às vezes cartomantes são necessárias para que acreditemos, de fato, que nossa estrela vai brilhar. E que mesmo os mais realistas e céticos fazem-se enganar sem precisar delas.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Vicky Cristina Barcelona
Um filme de Woody Allen que não parece filme de Woody Allen. Quer dizer, sei lá se Woody Allen ainda tem um estilo marcante. Afinal, "Match Point" também não parece filme dele. As musas escolhidas perpetuam por um certo tempo e a da vez, ao que parece, é Scarlett Johannson. Até Nova Iorque perdeu seu lugar cativo e já deu lugar a Londres e, agora, Barcelona.
Entre as mulheres do filme, com certeza você se identificará com uma delas, ou com uma das relações amorosas, segundo Contardo Calligaris. Vicky, Cristina, Maria Helena ou Judy, qual você é? É qual das relações você deseja para si? Cristina-Juan Antonio? Maria Helena e Juan Antonio? Cristina-Juan Antonio e Maria Helena? Vicky e Juan Antonio? Vicky e Doug? Para quem você se viu torcendo no final da história?
A louca Maria Helena de Penélope Cruz disse uma frase sábia e muito verdadeira. Disse ela, no que foi repetida por Juan: "a história de amor mais romântica é aquela que ficou inacabada". E não é ?
Entre as mulheres do filme, com certeza você se identificará com uma delas, ou com uma das relações amorosas, segundo Contardo Calligaris. Vicky, Cristina, Maria Helena ou Judy, qual você é? É qual das relações você deseja para si? Cristina-Juan Antonio? Maria Helena e Juan Antonio? Cristina-Juan Antonio e Maria Helena? Vicky e Juan Antonio? Vicky e Doug? Para quem você se viu torcendo no final da história?
A louca Maria Helena de Penélope Cruz disse uma frase sábia e muito verdadeira. Disse ela, no que foi repetida por Juan: "a história de amor mais romântica é aquela que ficou inacabada". E não é ?
Assinar:
Postagens (Atom)

