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segunda-feira, 12 de março de 2012

Olho neles, meninas!

Marilyn Monroe foi uma atriz que ficou conhecida pelo seu imenso carisma, mas também por seus inúmeros problemas pessoais que acabavam prejudicando as gravações de muitos dos seus filmes. Durante as gravações de seu último longa "Something´s Got to Give", ela foi demitida devido aos constantes atrasos. O diretor Billy Wilder fez um célebre protesto: "Tenho uma tia-avó na Áustria que é pontualíssima, mas ninguém pagaria um centavo para vê-la". E as pessoas, de fato, iam para o cinema ver Marilyn, independente do filme ser uma bomba ou não.Lembrando desta frase conhecida, eu fiquei pensando: hoje, a gente chega a pagar um ingresso só por conta de um ator (atriz)?

Nos anos 80 e 90 alguns atores valiam milhões porque eram sinal de lucro certo. Tom Cruise, Tom Hanks e Julia Roberts estavam entre eles. Eu cheguei a  assistir  filmes chatíssimos como "Dias de Trovão", "Coquetel" e "A cor do dinheiro" por conta do Tom Cruise. Aliás, já fiz coisas piores por conta dele, mas abafa o caso.

Já mais velha, eu ia muito ao cinema por conta de uma trinca de atores bons: Robert Downey Jr., John Cusack e Edward Norton. Hoje, não sei se algum deles me faria pagar um ingresso (ou locação). Não dá para acreditar que o cult John Cusack anda fazendo filmes lixo como "A ressaca" e similares. Robert de Niro´s rules, sabe como é.

Eis que em pleno 2012 eu me vejo encantada por uma nova trinca da atores bons que tem valido o filme. Bora ver quem são?



Ryan Gosling em cena de "Drive"
Ryan Gosling já ganhou alguns destes títulos bestas de "homem mais sexy vivo". Eu o descobri em um filme denso ("Namorados para sempre") que valeu um post. Está nos cinemas ao lado de Carey Mulligan em "Drive". Já fez comédias mais leves como "Amor a toda prova", mas seu forte é mesmo o anti-herói, o mocinho cheio de fragilidades evidentes. O olhar de cachorro pidão ajuda (e muito). Foi sumariamente ignorado no Oscar deste ano, mas recebeu elogios rasgados da crítica especializada.

Michael Fassbender em "Shame"

Michael Fassbender chamou-me a atenção no trailer de "A dangerous method", de David Cronemberg, onde interpreta o psicanalista Carl Jung. Jung era, de fato, lindo de morrer. O filme conta o envolvimento de Jung com Sabina Spielrein, sua paciente. Além deste longa, Fassbender tem dado o que falar por conta do filme "Shame", em que interpreta um viciado em sexo. Sua interpretação e entrega ao papel (além das famosas cenas de nu frontal) tem sido bastante comentadas. Os dois filmes estreiam até o final do mês no Brasil.

Daniel Craig S2
Talvez o mais conhecido da lista, Daniel Craig é o nosso Steve McQueen dos anos 2000. Mais conhecido por ser o primeiro 007 loiro do cinema, Craig pode ser visto também no primeiro filme americano da trilogia Millenium (Os homens que não amavam as mulheres). Além dos filmes de ação, ele também já fez dramas psicológicos como "Sylvia" com Gwyneth Paltrow, onde interpretou o poeta Ted Hughes. É o típico ator que transpira testosterona, sem ser necessariamente bonito. Parece ter o rosto esculpido à canivete, como, aliás, era McQueen. É, atualmente, o meu preferido da listinha, mas isso pode mudar.
 
E aí?  Gostaram da trinca? Já procuraram por filmes só por conta de um ator preferido? Comentem, dêem seus pitacos. Só não vale "Salsa", o clássico imbatível de Robby Rosa.

domingo, 6 de novembro de 2011

Cenas de um Relacionamento


Não se engane pelo pôster ou pelo título. "Namorados para sempre" (Blue Valentine - 2010) é um doloroso soco no estômago. O título em inglês (algo como "namorado triste") seria mais pertinente. Para mim, que há posts reclamo da previsibilidade das comédias românticas (ou dramáticas), este filme é um alento. Ou não.

Michelle Williams não deu sorte, assim como Nicole Kidman, ao ser indicada ao Oscar no mesmo ano que Natalie Portman com seu "Cisne Negro". É como se ninguém pudesse bater Natalie. Já comentei aqui sobre Nicole, mas Michelle Williams também tem uma atuação emocionante neste filme sobre a deterioração de um casamento. Fazendo um paralelo, ambas interpretam mulheres que sofrem ao se depararem com o naufrágio da união amorosa. Se em "Reencontrando a felicidade", o desencadeador do sofrimento do casal é a perda de um filho, em "Namorados para sempre" este fator não é tão claro. Nos dois filmes, as esposas mostram-se mulheres insatisfeitas, amarguradas e infelizes, ao lado de maridos um tanto quanto sensíveis e desorientados no sentido do que fazer para satisfazê-las. Ao mesmo tempo que facilmente elas podem ser vistas como garotas bacanas que se transformaram em bruxas malvadas, por outro, não é difícil entender porque elas chegaram a esse ponto.

"Namorados para sempre" é dirigido de forma quase documental, com longos closes no casal de protagonistas.  A beleza incomum de ambos fica em segundo plano, tamanha é a miséria humana que invade a tela. Ryan Gosling, que interpreta o doce Dean, é uma surpresa boa. Como eu não conhecia o ator, é como se ele fosse o próprio Dean. A química com Michelle Williams (nos bons e nos maus momentos) chega a ser impressionante.

"Blue Valentine" é um bom filme.Talvez não seja o ideal para assistir em um dia dos namorados, no entanto. É triste constatar que muitas vezes, a mesma característica que encanta quando a paixão acontece, é a mesma que pode causar repugnância, tempos depois. Remeteu-me a outro belo filme ("Foi apenas um sonho"), mas este é assunto para outro post. Será que eu volto para as comédias românticas?