Sigmund Freud escreveu dois textos belíssimos que reli dia desses. Mesmo aqueles que não simpatizam muito com a obra do "pai da psicanálise" irão apreciar sua escrita acessível e literária. "Luto e Melancolia" (1917) e "Sobre a transitoriedade" (1915) são textos curtos escritos em um momento de transição da teoria psicanalítica. A grosso modo, ambos versam sobre perdas e a forma como lidamos com elas.
Lembrei dos textos ao assistir um filme recente ("Reencontrando a felicidade"- 2010) que trata de um tema espinhoso: a perda de um filho pequeno em uma morte trágica. Nicole Kidman e Aaron Eckhart interpretam o casal que tem de juntar os pedaços juntos após a dor imensurável da perda de um filho. Nicole foi indicada ao Oscar deste ano como melhor atriz por este papel. No entanto, foi eclipsada por Natalie Portman que acabou levando o prêmio. O ano foi de Natalie e seu "Cisne Negro", sem dúvida. No entanto, Nicole Kidman também merecia. Sem um pingo de botox, todas as expressões foram possíveis em sua interpretação de uma mãe amargurada. Ela, que em outros tempos brilhou com a melancólica Virgínia Woolf no denso "As horas"(2002), faz agora uma mãe em luto. Não assistia a um filme tratar de forma tão realista a dor do luto desde o tristíssimo "O quarto do filho"(2001).
O que é perdido quando se perde um objeto de amor? Além do objeto de afeto, o que se vai? "Reencontrando a felicidade " tangencia essas questões, questões estas que foram aprofundadas nos textos do tio Freud. Há que se estar inspirado para assistir, sem dores muito recentes. No entanto, para quem aprecia um bom drama e não tem medo de chorar no cinema, vale a pena. Nicole Kidman prova que está em excelente forma. E Sigmund Freud também.
domingo, 5 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Um tapa na cara da sociedade!
Uma das cenas mais marcantes do cinema é a de Scarlett O´Hara arrancando um rabanete(!) da terra e jurando não mais passar fome novamente.
Ainda que jure por Deus, ela acrescenta que poderia roubar, matar e caluniar para que isto não acontecesse mais. A cena em que ela toma emprestada a cortina verde para fazer um lindo vestido marca o início da reviravolta de Scarlett na trama. Alguns dizem que "E o vento levou" é das histórias de amor mais lindas do cinema. Não é. O filme é a história de uma mulher linda, forte e egoísta. Scarlett não amava nem Ashley e nem Rett Butler. Scarlett só amava a si mesma e sua terra: Tara.
Ah, que sucesso faz o "tapa na cara da sociedade" ou, mais ainda, no algoz, geralmente um homem (seja o pai, o canalha, o playboy). Incrível como nessas colunas sentimentais apresentadas em vários portais observa-se imenso número de comentaristas que palpitam quando uma leitora sofredora abre seu coração. Se foi enganada e deixada, o conselho vem quase em uníssono: vingue-se, depois siga em frente.
Ainda que jure por Deus, ela acrescenta que poderia roubar, matar e caluniar para que isto não acontecesse mais. A cena em que ela toma emprestada a cortina verde para fazer um lindo vestido marca o início da reviravolta de Scarlett na trama. Alguns dizem que "E o vento levou" é das histórias de amor mais lindas do cinema. Não é. O filme é a história de uma mulher linda, forte e egoísta. Scarlett não amava nem Ashley e nem Rett Butler. Scarlett só amava a si mesma e sua terra: Tara.
Lembrei de Scarlett ao assistir a nova história de Norma (Glória Pires) em "Insensato Coração". A novela começou meio capenga mas, ao que parece, começa a reagir. Não há audiência que resista a uma história de vingança e recomeço, especialmente quando envolve humilhação. Embora o brasileiro seja, em sua maioria, criado na religião judaico-cristã, muito pouca gente gosta de oferecer a outra face. O tema da vingança (especialmente a feminina) tem lugar cativo na teledramaturgia nacional. E é legitimada, ainda que seja aos moldes de Scarlett: roubando, matando e caluniando.
Um dos clássicos do terror adaptados para o cinema foi "Carrie, a estranha" (1976). A paranormal Carrie (Sissy Spacek) era uma adolescente atormentada por uma mãe fanática religiosa e seus colegas da escola. Na festa de formatura, ela começa sua vingança. Silvio de Abreu fez sua versão de Carrie com Regina Duarte e seu banho de lixo em "Rainha da Sucata" (1990). A moça pobre se vinga mais tarde tornando-se milionária (a tal rainha do título) e casando-se com sua paixão adolescente que a teria humilhado tanto (Edu Figueroa, de Tony Ramos). Walcyr Carrasco escreveu sua Carrie: a doce Ana Francisca (Mariana Ximenes) de "Chocolate com Pimenta" (2003). Aguinaldo Silva, por sua vez, adaptou a já antológica Tieta (1989).
Não, a vingança não é uma característica feminina. No entanto, mulheres ainda assistem muita novela e adoram uma reviravolta, especialmente quando envolvem um banho de loja. É bom ser Cinderela e Tieta de vez em quando, ainda que seja só na ficção. Isso desde Scarlett O´Hara e o vestido verde de cortina.
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| Scarlett e seu milagre de alta costura |
domingo, 15 de maio de 2011
Vida louca, vida breve...
Eu não me lembrava que ele tinha morrido tão jovem. Lauro Corona tinha 32 anos quando faleceu, em 1989, em decorrência de AIDS. Isso foi há mais de vinte anos quando a homossexualidade e AIDS ainda eram temas tabus. Foi no mesmo ano em que a doença levou Cazuza.
Lembrei de Lauro Corona ao ler sobre ele na revista Joyce Pascowitch deste mês. A revista costuma relembrar ídolos de outros tempos. Esquecidos ou nem tanto.
Laurinho, como era conhecido, era presença onipresente na tevê. Era o equivalente, talvez, a um Cauã Reymond ou, pela semelhança física, um Bruno Gagliasso. Foi ídolo teen nos anos 7o e elogiadíssimo por seu talento nos anos 80. Além da pouca idade, chamou-me atenção o pouco tempo que ficou na mídia: 10 anos. A impressão que tinha, talvez por ser eu também muito novinha, era de que Lauro Corona esteve na tevê por muito tempo.
Morrer com AIDS naqueles tempos era algo muito triste. Era uma doença que não se falava o nome. Muitos artistas iam sumindo da mídia e, tempos depois, sabía-se da morte por causas misteriosas. Lauro Corona estava gravando uma novela das seis na época (Vida Nova) e, apesar de ser protagonista, teve de interromper sua participação. Já não tinha mais os cachos que o fizeram famoso e os olhos azuis pareciam muito distantes. A AIDS tinha uma cara. O olhar de quem tinha AIDS, aliado ao emagrecimento e, por vezes, ao efeito do AZT, era inconfundível. Lembro-me da sensação que tive ao assistir Lauro Corona em sua última novela. Eu senti que ele não faria mais nenhuma.
Pensando no ator, tive vontade de revê-lo cantar, junto de uma adolescente Glória Pires, o tema do casal em Dancin´Days. Segundo pessoas próximas, na época, eles eram tão amigos e viviam tão em sintonia que até respiravam no mesmo ritmo. É minha música preferida de Chico Buarque: João e Maria.
Lembrei de Lauro Corona ao ler sobre ele na revista Joyce Pascowitch deste mês. A revista costuma relembrar ídolos de outros tempos. Esquecidos ou nem tanto.
Laurinho, como era conhecido, era presença onipresente na tevê. Era o equivalente, talvez, a um Cauã Reymond ou, pela semelhança física, um Bruno Gagliasso. Foi ídolo teen nos anos 7o e elogiadíssimo por seu talento nos anos 80. Além da pouca idade, chamou-me atenção o pouco tempo que ficou na mídia: 10 anos. A impressão que tinha, talvez por ser eu também muito novinha, era de que Lauro Corona esteve na tevê por muito tempo.
Morrer com AIDS naqueles tempos era algo muito triste. Era uma doença que não se falava o nome. Muitos artistas iam sumindo da mídia e, tempos depois, sabía-se da morte por causas misteriosas. Lauro Corona estava gravando uma novela das seis na época (Vida Nova) e, apesar de ser protagonista, teve de interromper sua participação. Já não tinha mais os cachos que o fizeram famoso e os olhos azuis pareciam muito distantes. A AIDS tinha uma cara. O olhar de quem tinha AIDS, aliado ao emagrecimento e, por vezes, ao efeito do AZT, era inconfundível. Lembro-me da sensação que tive ao assistir Lauro Corona em sua última novela. Eu senti que ele não faria mais nenhuma.
Pensando no ator, tive vontade de revê-lo cantar, junto de uma adolescente Glória Pires, o tema do casal em Dancin´Days. Segundo pessoas próximas, na época, eles eram tão amigos e viviam tão em sintonia que até respiravam no mesmo ritmo. É minha música preferida de Chico Buarque: João e Maria.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Sobre príncipes, contos de fadas e estórias de infância
Muito já se escreveu sobre o impacto de grandes acontecimentos na vida de pessoas comuns. É muito frequente a gente se lembrar do que fazíamos em nosso prosaico cotidiano em dias que ficaram memoráveis para o mundo . Por exemplo: onde você estava quando o Senna morreu? Com quem estava no tetracampeonato? E, mais longe: quantos anos tinha quando o homem pisou na lua?
Eu, a despeito da minha memória ridícula para coisas um tanto quanto inúteis me lembro, às vezes, até da roupa que vestia na ocasião. Tenho, por exemplo, a lembrança nítida do impacto que tive ao ver a princesa Diana entrar na igreja. Não, eu não achei cafona aquele vestido que mais parecia um repolho. Eu achei lindo. E a princesa Diana era a mulher mais bonita do universo. Afinal, ela era uma princesa de verdade. E eu, uma criança.
O casamento da Diana aparece em minha memória como uma coisa tão antiga que ela fica lá nas gavetinhas da infância com meu pai. E elas são muito vívidas, embora eu tenha vivido pouco com ele. Já disse em outro post e repito aqui, que meu pai adorava revistas, especialmente a Manchete, que tinha fotos imensas. E era por lá que eu acompanhava a saga de Diana, a primeira princesa de verdade que eu tive notícia. Tá certo que eu achei o príncipe Charles meio feio. No entanto, meu pai me assegurou que ele tinha irmãos mais bonitos (!) e um deles seria o meu príncipe. Péssimo, pai, péssimo. Por alguns anos eu acreditei, até Andrew, o único irmão bonito, se casar com a louca da Sarah Ferguson.
Algum tempo depois, meu pai se foi de forma trágica e a princesa de verdade, Diana, também. O conto de fadas com Charles, no entanto, morreu antes dela. Essas lembranças todas aparecem novamente quando sou bombardeada com as notícias do casamento do príncipe William amanhã, com sua "lady Kate". Percebo que sou velha porque a capa da Manchete com o bebezinho loiro de perninhas gordas ainda é bem nítida. E, além disso, não me comovo mais com saga de princesas, nem com príncipes, bonitos ou feios, cabeludos ou carecas. Ainda assim, certeza que vou dar uma olhadinha no vestido da noiva, anos-luz do repolhudo de 1981.
Eu, a despeito da minha memória ridícula para coisas um tanto quanto inúteis me lembro, às vezes, até da roupa que vestia na ocasião. Tenho, por exemplo, a lembrança nítida do impacto que tive ao ver a princesa Diana entrar na igreja. Não, eu não achei cafona aquele vestido que mais parecia um repolho. Eu achei lindo. E a princesa Diana era a mulher mais bonita do universo. Afinal, ela era uma princesa de verdade. E eu, uma criança.
O casamento da Diana aparece em minha memória como uma coisa tão antiga que ela fica lá nas gavetinhas da infância com meu pai. E elas são muito vívidas, embora eu tenha vivido pouco com ele. Já disse em outro post e repito aqui, que meu pai adorava revistas, especialmente a Manchete, que tinha fotos imensas. E era por lá que eu acompanhava a saga de Diana, a primeira princesa de verdade que eu tive notícia. Tá certo que eu achei o príncipe Charles meio feio. No entanto, meu pai me assegurou que ele tinha irmãos mais bonitos (!) e um deles seria o meu príncipe. Péssimo, pai, péssimo. Por alguns anos eu acreditei, até Andrew, o único irmão bonito, se casar com a louca da Sarah Ferguson.
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| Diana, o fatídico vestido, e o príncipe que virou sapo |
Algum tempo depois, meu pai se foi de forma trágica e a princesa de verdade, Diana, também. O conto de fadas com Charles, no entanto, morreu antes dela. Essas lembranças todas aparecem novamente quando sou bombardeada com as notícias do casamento do príncipe William amanhã, com sua "lady Kate". Percebo que sou velha porque a capa da Manchete com o bebezinho loiro de perninhas gordas ainda é bem nítida. E, além disso, não me comovo mais com saga de princesas, nem com príncipes, bonitos ou feios, cabeludos ou carecas. Ainda assim, certeza que vou dar uma olhadinha no vestido da noiva, anos-luz do repolhudo de 1981.
terça-feira, 19 de abril de 2011
A saga de João Coragem
Eu conheci o Tarcísio Meira já coroa. No entanto, aos 50 anos, ele estava ainda muito bonito. Foi quando fez o épico Capitão Rodrigo em "O tempo e o vento" e o ambivalente Renato Villar em "Roda de Fogo" em meados dos anos 80.
No entanto, embora eu ainda não fosse nascida na época, o que me fascinava era a imagem de Tarcísio em "Irmãos Coragem", a trama rocambolesca de Janete Clair do início dos anos 70. Quando a tevê Globo fez 25 anos, apresentou uma "versão compacta" da novela e eu, criançona, babava por aquele homem lindo e heróico.
Eis que a novela sai em DVD e eu, mais do que imediatamente adquiro esta trama da era paleozóica da tevê. A trama durou quase um ano. Deu tempo da Regina Duarte engravidar, ter o bebê e a novela ainda estar no ar.
A novela não tinha edição. As cenas iam ao ar praticamente como eram gravadas. A trilha sonora era gravada juntamente com a cena (tipo, o mocinho ia beijar a mocinha ouvindo sua música tema). As externas tinha uma iluminação terrível e as cenas de ação eram toscas (percebía-se que os socos eram de "mentirinha"). Os cortes de uma cena para outra eram abruptos (há que se considerar que no DVD algumas cenas tiveram de ser cortadas), os cenários feios e as roupas pareciam ser de costureira (de fato,deveriam ser). O gerador era tão barulhento que é possível ouvir o barulho nas externas.
No entanto, o texto era bom e os personagens bem construídos, na medida do possível. João Coragem, o personagem de Tarcísio, era o irmão mais velho, justo e ponderado. Jerônimo (Cláudio Cavalcanti), o do meio, era mais esquentado e ligado à política. E Duda (Claudio Marzo), o caçula, era ambicioso e ousado. A trama conta a saga dos três irmãos em busca de justiça contra o coronel do local, o cruel Pedro Barros. Há ainda as paixões dos irmãos: Lara (Glória Menezes), Ritinha (Regina Duarte) e a índia Potira (Lúcia Alves).
No entanto, embora eu ainda não fosse nascida na época, o que me fascinava era a imagem de Tarcísio em "Irmãos Coragem", a trama rocambolesca de Janete Clair do início dos anos 70. Quando a tevê Globo fez 25 anos, apresentou uma "versão compacta" da novela e eu, criançona, babava por aquele homem lindo e heróico.
Eis que a novela sai em DVD e eu, mais do que imediatamente adquiro esta trama da era paleozóica da tevê. A trama durou quase um ano. Deu tempo da Regina Duarte engravidar, ter o bebê e a novela ainda estar no ar.
A novela não tinha edição. As cenas iam ao ar praticamente como eram gravadas. A trilha sonora era gravada juntamente com a cena (tipo, o mocinho ia beijar a mocinha ouvindo sua música tema). As externas tinha uma iluminação terrível e as cenas de ação eram toscas (percebía-se que os socos eram de "mentirinha"). Os cortes de uma cena para outra eram abruptos (há que se considerar que no DVD algumas cenas tiveram de ser cortadas), os cenários feios e as roupas pareciam ser de costureira (de fato,deveriam ser). O gerador era tão barulhento que é possível ouvir o barulho nas externas.
No entanto, o texto era bom e os personagens bem construídos, na medida do possível. João Coragem, o personagem de Tarcísio, era o irmão mais velho, justo e ponderado. Jerônimo (Cláudio Cavalcanti), o do meio, era mais esquentado e ligado à política. E Duda (Claudio Marzo), o caçula, era ambicioso e ousado. A trama conta a saga dos três irmãos em busca de justiça contra o coronel do local, o cruel Pedro Barros. Há ainda as paixões dos irmãos: Lara (Glória Menezes), Ritinha (Regina Duarte) e a índia Potira (Lúcia Alves).
A personagem de Glória Menezes enlouquecia o simplório João Coragem pois tinha três personalidades distintas: a recatada Lara, a devassa Diana e a equilibrada Márcia. A trama teria sido inspirada no filme "As três máscaras de Eva" (1957) que deu o Oscar a Joanne Woodward. A resolução da doença da moça é resolvida com uma cirurgia no cérebro (!) nos últimos capítulos.
Passei o domingo assistindo parte da novela e pensando em como o mundo era mais ingênuo e mais simples. No entanto, Tarcísio Meira enche a tela como o mocinho dos mocinhos. João Coragem continua sendo o meu herói preferido.
terça-feira, 12 de abril de 2011
"Filmes de chorar"
Ah, como é bom chorar no cinema. Todas aquelas lágrimas deslocadas de algum lugar ou momento para desembocar naquele escurinho "protegido". Ah, agora posso! E dá-lhe olhos inchados.
Sem nenhum rigor, acredito que um dos primeiros filmes "de chorar" foi o "Suplício de uma saudade" nos já longínquos anos 50, com um (ainda) garotão William Holden. Outro que é um clássico da choradeira é "Love Story"(1970), também um representante mór de outra categoria: os "filmes de doença". "Filmes de doença" geralmente também são "filmes de chorar".
Muito se falou a respeito de um sucesso recente do cinema: "P.S. Eu te amo", com Gerald Butler. Não sei se pelo fato das pessoas me avisarem de antemão para preparar o lencinho, eu torci o nariz. Toda cena parecia meticulosamente calculada para ser "a hora do choro". É um legítimo "filme de doença" + "filme de chorar". Clichezão, a gente vê por aqui.
Daí que eu escolhi assistir a um filme novo (deste ano, creio eu), com título de música que toca na rádio AM: "Não me abandone jamais". A escolha se deu pela atriz, a fofa Carey Mulligan. A sinopse, descrita brevemente, era sobre a história da relação de três adolescentes que crescem juntos. Inocentemente, achei que o filme fosse leve. Ledo engano.
Não sei se para qualquer um pode-se dizer que é um "filme de chorar", nem "um filme de doença", embora envolva hospitais e tudo mais. Há algo de ficção científica, inclusive. O que sei é que devo ter chorado pela vida inteira dentro do cinema. Se você não suporta obviedades, vá conferir. O filme vale pela fofíssima atriz citada acima, mas especialmente pelo rapaz protagonista (Andrew Garfield, de "A rede social"), que tem um olhar de cortar a alma em duas. Há como se falar de amor (além de outros tantos temas no filme) sem parecer um idiota e isso pode, de fato, emocionar.
P.S.: Escrevi um post sobre outro filme bom da "catiguria" aqui: http://letrasdelets.blogspot.com/2008/10/paixo-nos-tempos-do-clera.html:
Sem nenhum rigor, acredito que um dos primeiros filmes "de chorar" foi o "Suplício de uma saudade" nos já longínquos anos 50, com um (ainda) garotão William Holden. Outro que é um clássico da choradeira é "Love Story"(1970), também um representante mór de outra categoria: os "filmes de doença". "Filmes de doença" geralmente também são "filmes de chorar".
Muito se falou a respeito de um sucesso recente do cinema: "P.S. Eu te amo", com Gerald Butler. Não sei se pelo fato das pessoas me avisarem de antemão para preparar o lencinho, eu torci o nariz. Toda cena parecia meticulosamente calculada para ser "a hora do choro". É um legítimo "filme de doença" + "filme de chorar". Clichezão, a gente vê por aqui.
Daí que eu escolhi assistir a um filme novo (deste ano, creio eu), com título de música que toca na rádio AM: "Não me abandone jamais". A escolha se deu pela atriz, a fofa Carey Mulligan. A sinopse, descrita brevemente, era sobre a história da relação de três adolescentes que crescem juntos. Inocentemente, achei que o filme fosse leve. Ledo engano.
Não sei se para qualquer um pode-se dizer que é um "filme de chorar", nem "um filme de doença", embora envolva hospitais e tudo mais. Há algo de ficção científica, inclusive. O que sei é que devo ter chorado pela vida inteira dentro do cinema. Se você não suporta obviedades, vá conferir. O filme vale pela fofíssima atriz citada acima, mas especialmente pelo rapaz protagonista (Andrew Garfield, de "A rede social"), que tem um olhar de cortar a alma em duas. Há como se falar de amor (além de outros tantos temas no filme) sem parecer um idiota e isso pode, de fato, emocionar.
P.S.: Escrevi um post sobre outro filme bom da "catiguria" aqui: http://letrasdelets.blogspot.com/2008/10/paixo-nos-tempos-do-clera.html:
quarta-feira, 23 de março de 2011
A bela fera
Ela não era doce como Marilyn, nem tinha aquele corpão todo. Também não era elegante como Grace Kelly e Audrey Hepburn. Não cantava e dançava como Doris Day e Judy Garland. Aliás, sua voz tinha algo de esganiçado e era bastante marcante em alguns dos papéis de megera que interpretou. Apesar disso, nunca houve "beleza de cinema" como a de Elizabeth Taylor. Com ela, morre uma época.
Apesar do rosto de anjo, Elizabeth Taylor sempre foi "bocuda". Grandiosa na tela, ela era baixinha (não tinha 1,60!) e invocada. Bem jovem, já falava o que pensava e não tinha papas na língua. Sempre foi conhecida por ser autêntica e fiel aos amigos por mais controversos que eles pudessem ser. Os fãs de Montgomery Clift, Rock Hudson e Michael Jackson, apenas para citar alguns, são gratos a Liz pela generosidade que ela dedicou a eles.
Clift era sua alma gêmea no cinema. Com ele, ela formou um dos casais mais belos em um filme. Foi saindo da casa dela que ele sofreu um acidente quase fatal que deformou seu belo rosto. Ao saber do acidente (em uma das colinas de Hollywood, cheia de curvas), ela correu a pé até o local. O carro estaria destruído com o ator dentro dele. Ela teria aberto o carro e o encontrado afogado com sangue e um dos dentes quebrados. Não teve dúvidas, abriu a boca dele e tirou o dente, salvando sua vida! Além disso, quando, falido e problemático, nenhum estúdio queria arriscar cobrir seu seguro de vida, Liz chegou a dar o seu salário como garantia para que ele filmasse com ela.
Rock Hudson tinha AIDS no auge da paranóia mundial (não se sabia exatamente como era o contágio, por exemplo) e Liz aparecia abraçada a ele. Após sua morte, batalhou junto ao governo republicano e reacionário de Ronald Reagan por verba para pesquisas. Foi uma pioneira. Seu trabalho junto às pesquisas sobre a AIDS cresceu.
E o que dizer de Michael Jackson? Mesmo depois das acusações de abuso sexual e escândalos diversos, Elizabeth Taylor vinha a público acompanhada por ele em eventos, sempre o defendendo. Recusou-se, em 2009 a participar do espetáculo televisivo que a família Jackson organizou por ocasião da morte do cantor. Disse, inclusive no twitter, que sua dor não precisava ser pública.
Ela era uma "criatura do cinema", crescendo aos olhos do público. No entanto, Liz não parecia fake. Adoecia, assumia-se alcóolotra, viciada em comida e carente. Era de uma beleza inimaginável, mas de uma histeria palpável, comum à maioria de nós, mulheres. Seu obituário estava pronto há anos devido as suas inúmeras doenças, mas ela fazia pouco disso. Sua morte não chega a ser uma surpresa, mas não deixa de ser triste, especialmente para os fãs do (bom) cinema.
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