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terça-feira, 4 de janeiro de 2011
E feliz 2011...
Neste início de 2011, lembrei-me de uma comédia que assisti lá nos anos 90 e que acabou virando um (novo) clássico: "O feitiço do tempo". Aparentemente despretensioso, o filme faz a festa dos psicanalistas, embora esteja longe de ser um Bergman.
De forma bem resumida, Phil (Bill Murray), o protagonista repórter, fica preso no dia que mais odeia: o dia em que é obrigado a cobrir uma festa local em uma cidade pequena. Imagine você acordar todo dia do mesmo jeito, na mesma hora e saber tudo o que vai acontecer, com quem vai falar e como. Os roteiristas da "Grande Família" fizeram uma adaptação da história com Nenê ficando presa em um mesmo dia. E dá-lhe Chico Buarque embalando Marieta Severo com "Cotidiano". O episódio é quase tão bom quanto o filme, contando ainda com Rogério Cardoso como "seu" Floriano.
Bem, mas o que isso tem a ver com 2011, com o blog, conosco? Sem precisar recorrer a ficção, será que vamos fazer de 2011 uma cópia de 2010, 2009 ou, sei lá, 2000 e...2? Com o tempo, parece que os anos vão ficando meio iguais e se não tiverem um marco para os identificarem, não os diferenciamos (vide o ano da formatura, do casamento, do primeiro filho que nasce). Bom, e se não houver marcos? E se as viagens de verão forem sempre para o Guarujá? E se o apartamento tiver a mesma decoração desde 98? E se as lamentações forem sempre as mesmas (homem é tudo igual, como estou gorda, como estou cansaaaada, como ganho mal)? Nêga, os anos viram uma massa só. E em Dezembro diremos que mais um "passou voando".
O personagem Phil, após várias tentativas, se livra do "feitiço do tempo". Que nos livremos dos nossos "feitiços" e que possamos criar em cima de nossas repetições compulsivas. 2011 pode ser diferente, tentemos nos inspirar. "Dos cacos, farei um vitral", já escreveu a grande Adélia Prado...
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
EDUCAÇÃO
"Você acha que ele está como você por conta de sua inteligência?" - pergunta alguém a Jenny (Carey Mulligan), a personagem central de "Educação"(2009). Taí uma pergunta que me instigou, entre tantas deste filme. Identifiquei-me, em certo aspecto com Jenny, a adolescente que queria ser adulta, ávida por cultura e novas experiências. Jenny é aluna de um colégio conservador na fria Inglaterra pré Beatles e Rolling Stones que se envolve com um homem com o dobro de sua idade.
A estética sessentinha (do início dos anos 60) é encantadora, assim como a trilha sonora. O roteiro foi escrito por Nick Hornby (Alta Fidelidade), um cara que já provou entender das inseguranças dos rapazes na faixa dos 30-40 e que se arriscou a escrever sobre uma menina adolescente. Na verdade, ele se baseou em um artigo auto-biográfico da jornalista Lynn Barber, e é bem difícil (pelo menos para mim) identificar o seu estilo no filme. No entanto, ele ajudou a escolher algumas músicas da trilha, outra de suas especialidades, vide a maravilha que é a coletânea de Alta Fidelidade, uma pequena obra prima.
Jenny é uma adolescente nerd que vive um dilema: o que escolher, a carreira na universidade de Oxford ou uma vida cheia de ousadias e novidades junto a um homem bem mais velho que ela? A estreante Carey Mulligan lembra (de longe) a doce Audrey Hepburn e já virou queridinha dos fashionistas com seus vestidinhos retrô.
O título que o filme teve na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi "Sedução". O título em inglês é "An education", mais próximo do título definitivo que ganhou no Brasil. Voltando a pergunta que dá início a este post, o longa questiona o quanto tem valor, de fato, a educação formal de uma mulher nos anos 60 e (por que não) hoje também .Jenny, ao que parece, acreditava que David, o charmoso trintão, gostava dela por ela ser culta, ouvir música francesa e ser especial. Seria isso, de fato? Ou o encanto estaria no fato dela ter apenas16 anos? Um filme com um enredo aparentemente simples mas que faz pensar. Sobre meninas, mulheres, relações, escolhas e renúncias.
A estética sessentinha (do início dos anos 60) é encantadora, assim como a trilha sonora. O roteiro foi escrito por Nick Hornby (Alta Fidelidade), um cara que já provou entender das inseguranças dos rapazes na faixa dos 30-40 e que se arriscou a escrever sobre uma menina adolescente. Na verdade, ele se baseou em um artigo auto-biográfico da jornalista Lynn Barber, e é bem difícil (pelo menos para mim) identificar o seu estilo no filme. No entanto, ele ajudou a escolher algumas músicas da trilha, outra de suas especialidades, vide a maravilha que é a coletânea de Alta Fidelidade, uma pequena obra prima.
Jenny é uma adolescente nerd que vive um dilema: o que escolher, a carreira na universidade de Oxford ou uma vida cheia de ousadias e novidades junto a um homem bem mais velho que ela? A estreante Carey Mulligan lembra (de longe) a doce Audrey Hepburn e já virou queridinha dos fashionistas com seus vestidinhos retrô.
O título que o filme teve na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi "Sedução". O título em inglês é "An education", mais próximo do título definitivo que ganhou no Brasil. Voltando a pergunta que dá início a este post, o longa questiona o quanto tem valor, de fato, a educação formal de uma mulher nos anos 60 e (por que não) hoje também .Jenny, ao que parece, acreditava que David, o charmoso trintão, gostava dela por ela ser culta, ouvir música francesa e ser especial. Seria isso, de fato? Ou o encanto estaria no fato dela ter apenas16 anos? Um filme com um enredo aparentemente simples mas que faz pensar. Sobre meninas, mulheres, relações, escolhas e renúncias.
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