Lya Luft escreveu sobre o assunto na VEJA de hoje. Que assunto? O machismo, olha só. Algo que parece tão anos 50 e está aí, tão atual. Em conversa com um motorista de táxi, ela ouviu dele, um tanto quanto estupefata comentários de que existem mulheres para casar ("limpinhas", que cuidam dos filhos e colocam a comida na mesa na hora certa) e mulheres para se divertir (meninas bonitas, mais sexualizadas). Ouviu também que homem é homem, sabe como é. Precisam se divertir de vez em quando. Ou seja, a mulher "limpinha" em casa não basta.
Não precisa conversar com um taxista para ouvir coisas semelhantes. Já ouvi algo parecido de amigos bem bacanas. Na internet, muitas vezes uma terra de ninguém, sob a proteção do anonimato lê-se coisas bem menos abonadoras a respeito das mulheres. Todos os comentários querendo colocá-las no seu devido lugar (seja qual for ele).
Por exemplo: em um site destes, de fofoca, durante esta semana pipocou a notícia de que Danielle Winitts iria se casar com Jonatas Faro, bem mais jovem do que ela. Entre vários comentários revoltados, um deles pedia para que "essa senhora de idade se comportasse, pois mulheres velhas como ela deveriam se dar ao respeito e estar no bingo (!)". Outro, antecipava o fim próximo do namoro-casamento, pois afinal, ela tinha pago para o garoto estar com ela, pois era uma "baranga velha e rodada". Detalhe: Danielle Winitts tem 36 anos.
O fato de surgirem boatos a respeito da infidelidade da atriz com o primeiro marido (o modelo Cássio Reis) só agrava a ira e faz dela a Geni da vez. Vagabunda, joguem pedra nela. Como ousa gozar a vida, ainda mais com um cara mais jovem?
Sei lá, em tempos ditos tão mais democráticos, ainda me choca ler comentários deste tipo, do mesmo que fizeram de Geise Arruda no fatídico caso Uniban. Foi vaiada, ameaçada de estupro por um bando de estudantes? Ora essa, ela provocou, onde já se viu ir vestida daquele jeito na faculdade? Eliza Samudio foi assassinada cruelmente pelo goleiro Bruno e sua gangue. O próprio advogado do acusado se pronunciou: ora essa, quem ela era? Maria-chuteira, garota de programa, atriz pornô. Ué, merece ser assassinada por conta disso? Tem menos direito à vida do que uma freira, por exemplo?
Eu achava que o feminismo, 40 anos depois, era uma bandeira um tanto quanto antiquada e cafona nos dias de hoje. Estava errada. A mulher desejar e fazer do seu corpo e desejo o que bem entender ainda é uma afronta. Mulheres assim não são mulheres limpinhas com quem se casa e "se respeita". Danielle, Geise e Eliza não são mulheres que admiro, mas estão no seu direito de fazerem o que bem quiserem sem serem apedrejadas por isso. Pelo visto, muita gente discorda.
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domingo, 21 de novembro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Julie e Julia

"Julie e Julia" tinha tudo para ser um filme "menor", mas não é. Também tem cara de filme "para mulheres", mas não é o caso. Com um roteiro bem amarradinho, ele conta a história de duas mulheres separadas no tempo, mas unidas por uma paixão: a culinária. No entanto, mais do que terminar de assisti-lo e ter vontade de cozinhar, eu senti vontade de fazer muitas coisas. De começar e terminar projetos,sejam eles quais forem.
É incrível como nos filmes americanos as pessoas estão sempre trabalhando. Cozinhando, cuidando do jardim, costurando, escrevendo, os personagens estão às voltas com algo enquanto desenvolvem o enredo do filme. Nas novelas brasileiras, o cenário sempre é a mesa do café, o jantar, a rua, a praia. Não sou uma apaixonada pelos filmes americanos atuais, mas, curiosamente, eles me incitam o desejo de trabalhar.
As duas personagens citadas acima (e baseadas em pessoas reais) tinham vários pontos contra para realizarem seus projetos. E foram em frente. Contavam, sim, com dois maridos maravilhosos (uns santos, vamos combinar) e que tinham uma enorme paciência com tamanha obstinação.
Talvez por ser um tanto quanto atrapalhada com tarefas domésticas (embora eu me vire), sou profunda admiradora daquelas que possuem talento para tanto. Acreditem, há pessoas que são artistas em arrumar uma cozinha e lavar bem a pia. De varrer bem um chão. De passar um pano como ninguém. De dar aquele pontinho imperceptível na camisa rasgada. De consertar um casaquinho de crochê. De engomar uma camisa como ninguém. Para mim, elas são mágicas. Adoro pessoas que criam. Seja na costura, na cozinha, na jardinagem. Minhas plantinhas não sobrevivem por um mês.
Concluindo: este post é um elogio a quem conclui projetos, grandiosos ou não. E também (as feministas que me perdoem) às mulheres que sabem cuidar bem de uma casa. Enquanto aprendo como se faz, escrevo. É o que, afinal, eu consigo produzir
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