A década já começou "matando a pau" com thrillers como o eletrizante "O silêncio dos inocentes"(1991) e o polêmico "Intinto Selvagem"(1992). A partir da cruzada de pernas de Sharon Stone, a atriz tornou-se conhecida do grande público e foi considerada a mais bela mulher do mundo, com seus traços absolutamente simétricos. Após a brega e hiperbólica década de 80, chique era ser minimalista como Sharon e seus visuais limpos e sem frufrus.
Filmes sobre amizades intensas entre duas mulheres (com conotação implícita ou explicitamente sexual) invadiram os cinemas. Foi a década dos clássicos "Tomates Verdes Fritos"(1991) e de "Thelma e Louise"(1991), além do assustador "Mulher solteira procura"(1992). A temática feminista presente nos dois primeiros filmes já havia sido abordada de outra maneira em "Acusados" (1988) na década anterior. No entanto, "Thelma e Louise", além de render indicações ao Oscar para suas duas protagonistas (Geena Davis e Susan Sarandon) o fez de forma mais marcante, com cenas que se tornaram antológicas. Isso, além de apresentar um novo galã: Brad Pitt.
Steven Spielberg, o diretor que já estava entre os jovens prodígios nos anos 70 e 80, inova com um longa metragem dos bons: "A lista de Schindler" (1993) que fez muitos chorarem no cinema. O filme, praticamente todo filmado em preto e branco faz uma abordagem mais crua do massacre dos judeus durante a segunda guerra. Gerou um documentário e várias controvérsias. A trilha, que conta com o conhecido John Williams era maravilhosa e cortante. Talvez este tenha sido um divisor de águas na carreira de Spielberg que também dirigiu o também vencedor de Oscars "O resgate do soldado Ryan" no final da década.
No entanto, foi em 1994 que a cerimônia do Oscar teve dois favoritos, inovadores a sua maneira. Foi o ano de "Pulp Fiction" e "Forrest Gump". Era um tanto óbvio que a conservadora Academia de Artes Cinematográficas não daria o Oscar ao sangrento e genial "Pulp Fiction", mas valeu a expectativa. Foi o filme que me apresentou a Quentin Tarantino e ressuscitou meu ídolo de outras épocas, John Travolta. A fábula de Forrest Gump acabou levando a melhor. A história do cara comum e limítrofe que atravessa as décadas do século XX interagindo com personagens icônicos sem se dar conta foi, de fato, encantadora. E consagrou Tom Hanks que já ganhara o Oscar no ano anterior pelo igualmente inovador "Philadelphia", que abordava os preconceitos enfrentados por um portador do vírus da AIDS e homossexual. Todos estes filmes tinham trilhas sonoras pra lá de caprichadas.
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| Uma Thurman seduzindo John Travolta em "Pulp Fiction" |
Hoje, os anos 90 já são passado. Nada como o tempo para valorizar o que se passou. E no caso, o cinema foi bom mesmo. E a época também. Saudades imensas do cine Bristol de Ribeirão Preto que, por sinal, virou igreja.
