segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma ode a Miranda...


Como muitas, acho que “Sex and the city” deveria ter se encerrado com a série televisiva. Sem essa de longa metragem com final de novela e excesso de merchandising. Acabei me enjoando de Carrie Bradshaw e da simpatia de Sarah Jéssica Parker. Samantha é uma personagem interessante, mas não consigo me identificar com ela (é, eu não tenho uma vida sexual tãaaaaaao animada). Charlotte é chatinha e, apesar da doçura, é por demais pequeno burguesa. Só Miranda ainda me comove. Comoveu-me durante toda a série. Transformou-se. Não é a mesma Miranda do início.
Não sou workaholic, apesar de trabalhar muito. E também não acho que esta seja a principal característica de Miranda Hobbes. Ela é azeda, às vezes, mas talvez a mais humana das quatro amigas. E são os episódios em que ela brilha, com os quais eu mais me identifiquei.
Um deles, emblemático, é quando, aos trinta e quatro anos, morando só, ela começa a ter pesadelos com a idéia de morrer e demorarem para descobri-la morta. Como tem gatos, fica imaginando que eles, com fome, podem comer seu corpo em decomposição. Começa, então, a encher as vasilhas de ração para seus gatos de forma exagerada. A idéia é engraçada, ainda mais vindo da, aparentemente, racional Miranda. No entanto, quem mora sozinho tem esse medo sim. Quando Clodovil morreu sozinho e demorou a ser descoberto, confesso que deu um medinho.
Outro episódio é quando ela confessa que tem medo de encontrar os ex. Medo não, pânico. Não sabe lidar com a situação, fica sem-graça, enfim. E dá-lhe Miranda correndo e se escondendo pelas ruas de Nova York fugindo de ex-namorados. É Steve, o ex mais recente, que a acolhe. E é com Steve, o amigo, que ela se torna ainda mais humana.
Steve é o namorado loser, longe do ideal de homem que Miranda sempre procurou. Sem muita cultura, sem um emprego decente, longe de ser bonito, é com Steve que Miranda encontra a relativa paz e aprende a ser mais terna. É por ele e pelo filho que ela se transforma. Vai morar no subúrbio, vira mãe, cuida da sogra com Alzheimer. Sem glamour algum.
Isso sem contar que Miranda ama suas amigas. Eu diria que entre todas, é a mais amiga de Carrie. Racional, mas extremamente companheira. Eu queria muito ter uma amiga como Miranda. Aliás, eu acho que tenho. E agradeço muito por isso.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ser Miss Brasil é...


Baixar o Clóvis Bornay e desfilar o traje típico do seu estado, sambando, como se ele fosse a coisa mais linda do mundo...
* Any, este post foi pra você!

terça-feira, 5 de maio de 2009

REPARAÇÃO


A reparação é um mecanismo de defesa que uma importante psicanalista, Melanie Klein, observou em suas sessões de análise com crianças. Ele acontecia sempre que as crianças sentiam culpa por seus ataques imaginários a seus objetos de amor e desejavam devolver a eles a integridade perdida. Nestes momentos, é muito frequente que as crianças façam desenhos, queiram colar e consertar brinquedos quebrados, e expressem com toda a clareza a aspiração ao bem estar das pessoas que amam.

Há um belo filme sobre o tema, dos mais bonitos que já vi no cinema recentemente. Chama-se, na tradução em português, "Desejo e Reparação" e tem a bela Keira Knightley no elenco. O título original é simplesmente "Reparação" (Atonement), baseado em um romance de mesmo nome.

Alguns podem dizer que o filme fala sobre a inveja, de uma irmã sobre outra. No entanto, a beleza do filme reside justamente em todo o processo de tentativa de reparação da irmã dita "invejosa" para com a irmã que sofreu o ataque. Não há mocinhos, nem vilões no filme. Apenas seres humanos, vítimas de equívocos e de sentimentos menos nobres. Assim como você e eu.

sábado, 25 de abril de 2009

Do Paraíso às Índias...


Maior tempo do mundo que eu não assisto à novelas, eu, que já fui noveleira convicta. Não sou mais a mesma, muito menos as novelas que não estão lá grande coisa.

De relance, dei uma olhada no remake "Paraíso", que foi das primeiras novelas que assisti na vida. A última novela que tenho lembrança é "Pai Herói" (1979) quando tinha quatro anos. A primeira versão de Paraíso passou quando eu tinha seis, sete anos. Eu gostei bastante, mas era muito novinha e não entendi muita coisa. Naquela época, Benedito Rui Barbosa era autor das seis na Globo, antes do estouro de Pantanal (1990).

O que me deu muita saudade, assistindo agora à versão atual, foi de Cristina Mullins, a santinha da versão original. Adorava Cristina Mullins, uma das atrizes mais completas de sua geração e das mais lindas. Fazia comédia e drama com muita facilidade e era de uma simpatia ímpar. "Santinha" foi das suas personagens mais marcantes. Quanto ao galã da novela, já escrevi uma vez aqui mesmo neste blog e repito: José Eleutério foi o melhor papel de Kadu Moliterno, o que ele admite. Os "Josés" do Benedito (Eleutério, Leôncio, Inocêncio) são grandes personagens masculinos de telenovelas, com uma dose de doçura e masculinidade que se equilibram. Mocinhos dignos.

Natalia Dill, a Santinha da versão atual, lembra muito Cristina Mullins, é algo que impressiona. E a mocinha é boa, faz um bom par com Eriberto Leão, o José Eleutério da vez. No entanto, o texto de Benedito me cansa, me enjoa, os diálogos são muito parecidos em suas novelas. Ele tem bons argumentos, seus enredos são lindos, histórias de amor belíssimas, mas por demais arrastadas. Ficariam melhor em uma minissérie, ou em uma novela mais curta. "Paraíso" é bom para encher os olhos com a beleza e talento dos protagonistas atuais, além de matar um pouco a saudade de um tempo mais ingênuo. Afinal 1981 já é uma data bem distante.


ENQUANTO ISSO, NAS INDIAS...


A Globo anda apostando todas as suas fichas em Rodrigo Lombardi, e com razão. Não gosto dos galãs de Glória Perez. São sempre chatos, independente do ator. Murilo Benício que o diga. No entanto, o Raj de Rodrigo Lombardi é um encanto, graças à doçura do intérprete. Taí um mocinho que eu gosto, doce e másculo, como aqueles dos bons tempos do Benedito Rui Barbosa.

sábado, 11 de abril de 2009

Quem quer ser um milionário?


Osmar Prado, em entrevista recente, disse recursar-se a assistir programas como o Big Brother por achar deplorável ver pessoas discutindo e se digladiando por um milhão de reais. Neste sentido, também acho, mas há muito mais do que isso no BBB. Como programa de entretenimento (veja bem, ENTRETENIMENTO), continua imbatível e como fenômeno na internet, também.
Observar a natureza humana dentro de um confinamento repleto de privações e elementos desencadeadores de estresse, além do mau humor do Boninho pode ser, além de sádico, interessante. No entanto, ainda que você tenha pay per view, você não consegue ter acesso a um ou outro participante como um todo. Você tem imagens e só. E há coisas que não cabem em imagens, embora elas sejam poderosíssimas. O que você capta são as contradições nos discursos, a aparente ambivalência de sentimentos dos brothers, as reações de surpresa, susto,medo, especialmente no "ao vivo". Neste último BBB, sem uma mão tão pesada da edição, essas contradições puderam ser observadas em todos os participantes. Encontrar mocinhos e vilões entre eles vira tarefa complicada porque são pessoas (com uma boa dose de exibicionismo e jogos de cena) e não personagens de contos de fada. No entanto, muitos querem que assim seja e projetam em um ou outro participante características de príncipe consorte e donzela desamparada. E o mais perigoso: vilões horrorosos.
A net BBB (blogs e fóruns que discutem o BBB) cresce a cada ano e é um bom termômetro do como os ânimos se exaltam a níveis perigosos. Há blogs cômicos excelentes (melhores que o próprio programa como o Big Bosta e o Big Bother), mas há aqueles que se levam a sério demais. Um, em especial, que escolheu a participante Ana Carolina como a mocinha da vez, chega a ser criminoso. Ana, com seus olhos claros e rosto de boneca foi escolhida como santa, pura de sentimentos, princesa. Os demais, especialmente os rivais, receberam apelidos maldosos e toda sorte de impropérios, além de montagens bem toscas. No haloscan destes blogs, há declarações de ódio que chega a ser um verdadeiro linchamento virtual, além de ser assustador. Talvez por conta desta incitação ao ódio, famílias como as de Max e Priscila estavam recebendo ameaças de morte por telefone e em comunidades do orkut.
Por outro lado, blogs da torcida MAXINE (da dupla Max e Francine) fizeram vigília durante madrugadas a fio para acompanhar detalhes do namoro, entre DRs, rompimentos e amassos intermináveis embaixo do edredon. Ele teria dito "eu te amo"? Ela suspirou? Ele chorou escondido? Houve sexo? Essa mesma torcida romântica e carente (que inclui desde adolescentes a mulheres casadas e mais maduras) passou a madrugada de sábado passado votando compulsivamente pela permanência de Max na casa. Talvez a popularidade do controverso Max não fosse maior do que a de Ana Carolina, mas sua torcida era das mais apaixonadas. O domingo foi a final antecipada do programa marcando o enfrentamento das duas maiores torcidas. Max ficou.
Concluindo: talvez hoje em dia não seja mesmo a popularidade do participante que conte, mas o quanto ele pode despertar paixões. A audiência da tevê aberta já não é mais a mesma, mas Boninho ri à toa com os recordes de votação e vendas de cotas de publicidade. Resta saber agora como os fanáticos irão sobreviver à ressaca pós- BBB.

domingo, 29 de março de 2009

JOÃO E MARIA (Chico Buarque e Sivuca)

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

segunda-feira, 2 de março de 2009

"(...)Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida... Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito é o mesmo que cravar uma faca no peito. Esta vida é um punhal com dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais"!

(Menotti del Pichia)