Após anos em análise, um paciente continua indo ao consultório e deitando-se no divã para contar seus problemas, mesmo após a morte de seu analista. Esta piadinha (sem graça) retrata bem o senso comum a respeito do que acontece nos consultórios de psicanálise: muita falação e choro de um lado e silêncio sepulcral do outro. Exageros à parte, o silêncio é sim, importante e tem funções. Nos consultórios e na vida, é preciso saber administrar o silêncio. E não é fácil.
Nos últimos tempos tem havido um elogio da falação incessante. É urgente expor o que se pensa, mesmo que ninguém esteja minimamente interessado nisso. Você entra no twitter e no facebook e é como se estivesse no meio do burburinho. Reclamações, indiretas, ataques, críticas políticas, lamentações, declarações de afeto e do que se comeu no almoço. Nos sites, muita gente comenta sem nem ler direito o texto. Muitas vezes, critica-se o autor de um artigo que defende exatamente o que o comentarista acredita. Há uma confusão importante entre falar, escrever (de forma catártica, muitas vezes) e, de fato, comunicar alguma coisa.
Na verdade, há coisas que não precisam ser ditas. Inclusive, perdem a beleza se
assim forem. Aliás, a linguagem nem sempre é capaz de "dar conta" de
alguns afetos. Não há momentos em que ficamos mudos diante de algo que
nos toma? Susto, choque, tristeza, alegria intensa? É o famoso momento-clichê do "simplesmente faltam palavras para descrever". E faltam mesmo.
"The human heart has hidden treasures,
In the secret kept, in the silence sealed,
The thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures,
Whose charms are broken, if revealed."
(Charlotte Brönte)
Em outras situações, é preciso falar para não enlouquecer. É comum, por exemplo, uma certa verborragia diante de uma emoção forte, o tal falar sem parar, sobre o mesmo assunto. Apaixonados se comportam assim. Pessoas que passaram por situações traumáticas também. É aí que as palavras transbordam e chegam a derramar.
"Words are very
Unnecessary
They can only do harm."
A música do Depeche Mode é linda mas, a bem da verdade, silêncio e palavras em excesso podem fazer mal, fora ou dentro dos consultórios. No entanto, para dosar bem uma coisa e outra, é preciso treinar a escuta do outro (s), algo que tem sido artigo raro por aí. Ouvir bem, ouvir com cuidado, falar idem: taí um excelente presente de Natal. Um presente que não tem preço.
A música do Depeche Mode é linda mas, a bem da verdade, silêncio e palavras em excesso podem fazer mal, fora ou dentro dos consultórios. No entanto, para dosar bem uma coisa e outra, é preciso treinar a escuta do outro (s), algo que tem sido artigo raro por aí. Ouvir bem, ouvir com cuidado, falar idem: taí um excelente presente de Natal. Um presente que não tem preço.
