Entre as lembranças leves, recentemente o "you may know" me trouxe de volta um muso inspirador do final da minha adolescência. Era muso e só. Bom para olhar e achar fofo. Meu e de uma amiga. Era um moleque bicho grilo cheio de cachos nos cabelos. Aliás, era isso que o fazia muso: os cachos de anjinho. O facebook o trouxe de volta. Sem cachos. Um tiozão careca. Se não fosse os olhos e o "you may know", jamais o reconheceria. Em papo com a mesma amiga daqueles tempos, lamentei o ocorrido.
- Fiquei triste agora.
- Por quê?
- Nosso muso inspirador não existe mais. Você não vai acreditar quem eu encontrei no facebook.
- Quem?
- FU-LA-NI-NHO! Acredita que ele não tem mais os cachos? Aquele menino não existe mais, ficou lá em 92.
- Quem é fulaninho? Não sei quem é. Não lembro.
- ....
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Mocinho aleatório que poderia ser o fulaninho |
Amigos são testemunhos da nossa história, eu li uma vez. Se ninguém se lembra de algo junto com você, há uma estranha sensação de loucura, como se fosse um universo paralelo: afinal, aquilo aconteceu, ou não? Só eu vivi? O youtube e os sites retrô me salvaram um pouco neste sentido. Desenhos animados meio bizarros que ninguém parecia se recordar estão lá só para me provar que não, eu não estou louca.
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-Chamando Carro de Perfume, chamando Carro de Perfume... |
A conclusão que se tira do livro é que perder a memória é uma verdadeira tragédia, mas lembrar-se de tudo também é. O conto "Funes, o memorioso" de Jorge Luis Borges, aborda o tema de forma mais cômica, mas a conclusão é a mesma. Viver lembrando do passado pode te impedir de viver o presente e, por que não, de "sonhar" com o futuro. No entanto, "o brilho eterno de uma mente sem lembranças" também é uma ilusão. Algo precisa ser lembrado (e repetido, e elaborado, como diria o tio Freud).
Quanto ao post, que o facebook e derivados sejam mais generosos conosco e nos ajudem a esquecer (e não a lembrar) coisas que não fazem mais o menor sentido hoje. É um verdadeiro pândego este "someone you may know".